Categorias: Notícias

Matança de porcos e frangos não para de crescer no Brasil

Fotos: Aitor Garmendia

O número de animais mortos para consumo continua crescendo no Brasil. Enquanto o abate de bovinos teve queda de 9,8% no terceiro trimestre deste ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que começou a divulgar os primeiros resultados do período neste mês de novembro, o abate de suínos cresceu 7,6% e o de frangos 1,2% em relação a 2020.

O aumento da matança de aves e porcos tem relação com a redução do poder de compra de carne bovina. Ou seja, em períodos de crise, cresce o abate de animais com cortes considerados “mais baratos” – o que também significa mais violência envolvendo suínos e frangos.

Quanto ao volume de carcaças desses animais em comparação com o terceiro trimestre de 2020, isso corresponde a um aumento de 8,5% e 4,1% – somando 1,27 milhão e 3,63 milhões de toneladas em apenas 90 dias. A pesquisa completa do IBGE ainda será concluída e divulgada no dia 8 de dezembro.

De qualquer forma, já imaginou se o resultado de toda essa violência fosse deixado para observação dos consumidores logo após o abate? Vale lembrar que o Brasil já havia atingido um recorde de abate de suínos no segundo trimestre deste ano, quando matou 13,04 milhões.

Atingindo recordes de violência

Agora esse total foi superado, ultrapassando a média anterior de 4,34 milhões por mês, mais de 144 mil por dia e mais de seis mil por hora. O total de 1,52 bilhão de frangos abatidos no segundo trimestre deste ano também foi superado, impulsionado pelo aumento da demanda.

No Brasil, um porco, que normalmente passa por processo de corte de cauda e de dentes sem anestesia nos primeiro dias de vida, e que é separado de sua mãe a partir dos 18 dias, não ultrapassa seis meses de idade até ser degolado e reduzido a pedaços de carne.

Já os frangos vivem de 30 a 45 dias antes de serem pendurados e golpeados fatalmente por lâminas bem afiadas. Imagine como deve ser a experiência de vir ao mundo para viver tão pouco.

É preciso considerar ainda que esses animais normalmente são mantidos em condições de superlotação, em que seus anseios são suprimidos e não há liberdade para manifestar comportamentos naturais. Quem gostaria de viver amontoado? Em situação que favorece ainda ansiedade, estresse e até mesmo canibalismo em casos extremos.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago