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O santuário de abelhas de Morgan Freeman

Freeman: “. “Elas não me picaram ainda porque não estou tentando colher o mel ou qualquer outra coisa” (Fotos: Getty)

Esta semana a mídia internacional, incluindo a revista Forbes, Mirror, Epoch Times e Yahoo, destacou mais uma vez o trabalho do ator Morgan Freeman com o seu santuário de abelhas situado em uma propriedade de mais de 500 mil metros quadrados. A iniciativa do ator começou em 2014, quando ele conseguiu 26 colmeias de uma fazenda do Arkansas.

Em entrevista ao programa The Tonight Show apresentado por Jimmy Fallon, ele contou que seu objetivo é estimular as abelhas a atuarem livremente como polinizadoras, mas sem qualquer interesse de sua parte em colher mel.

“Há um grande esforço em tentar trazer as abelhas de volta ao planeta”, comentou em referência ao fato de que os insetos polinizadores estão desaparecendo em decorrência de fatores como mudanças climáticas, desmatamento e utilização de agrotóxicos.

Há mais de cinco anos, Morgan Freeman tem plantado em seu santuário em Charleston, no Mississippi, apenas plantas que possam beneficiar o ciclo natural das abelhas, como magnólias, trevos (trifolium) e lavandas: “Não percebemos que elas são a base, penso eu, do desenvolvimento do planeta, da vegetação…”

Freeman confidenciou também que não utiliza nenhum equipamento especial quando está no santuário, nem mesmo o chapéu de apicultor. “Elas não me picaram ainda porque não estou tentando colher o mel ou qualquer outra coisa. Acho que elas pensam em algo do tipo: ‘Ei, não incomode esse cara, ele tem água com açúcar aqui’”, brincou.

Vale lembrar que o desmatamento leva à perda e à substituição do habitat das abelhas por áreas urbanas, diminui a oferta de locais para a construção de ninhos e reduz recursos alimentares utilizados por polinizadoras. Já as mudanças climáticas podem modificar o padrão de distribuição das espécies de abelhas, a época de floração e o comportamento em relação à polinização.

Além disso, a aplicação de agrotóxicos para controle de pragas e patógenos, com alta toxicidade para polinizadoras, pode provocar a morte, atuar como repelente e causar efeitos tóxicos subletais como desorientação do voo e redução na produção de prole.

E como consequência, a redução do número de abelhas compromete também a alimentação humana, já que cerca de 70% da produção alimentícia depende da polinização natural de abelhas e de outros animais.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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