Desde 2006, há muitos pais que costumam entreter os filhos com vídeos e canções da Galinha Pintadinha, em que os personagens animais vivem em harmonia. Até que ponto isso é coerente se considerarmos que esses mesmos pais condicionam os filhos a comerem frango, aves como a Galinha Pintadinha?
Isso é estranho se reconhecermos que nessas canções, já ouvidas, decoradas e cantadas por muitas crianças de todas as regiões do Brasil, há inclusive uma humanização desses animais, ou seja, os aproximando de características humanas – o que, equívocos à parte, não deixa de enaltecer em algum nível a senciência, a inteligência e as habilidades sociais não humanas. Mas, infelizmente, sabemos que nem por isso os pais dizem aos filhos que a Galinha Pintadinha tem o direito de viver e não ser reduzida a alimento no mundo real.
Outro exemplo é a Peppa Pig, lançada em 2004, uma porquinha que adora brincar e se divertir. Sem dúvida, um desenho animado que caiu no gosto de crianças do mundo todo há muito tempo. A Peppa Pig parece bastante interessada em viver e compartilhar experiências com sua família e amigos, não é mesmo?
Porém, fora da ficção, a maioria não reconhece tal anseio. Prova disso são os pais que motivam os filhos a comerem presunto, pernil, bacon e bisteca, entre outros cortes – partes de um porco como a Peppa Pig e que, claro, também não gostaria de sofrer ou morrer precocemente para virar comida. Sendo assim, acredito que seja válida a reflexão. Há coerência em fazer as crianças se alimentarem daqueles que despertam ou estimulam nelas a simpatia pelos animais? Não é como dar com uma mão e tirar com a outra? Sem dúvida, mais uma de nossas convenientes contradições.
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