Se pesquisar sobre a palavra respeito, você vai perceber facilmente que o seu conceito costuma ser associado à consideração, deferência e, naturalmente, ao entendimento de que não há respeito na arbitrariedade porque esta é abusiva em essência.
Então como alguém pode falar em respeito pelos animais quando toma parte em sua exploração ou morte? Seja por meio do consumo ou do lucro. Não é tão difícil testemunhar pessoas alegando que exploram, matam ou se alimentam de animais, mas os respeitam. Não, isso não é respeito.
Porém, ludibriado pela própria consciência o ser humano recria significações para as suas inconsistências. A palavra respeito, por exemplo, tem origem latina – respicere, que significa “olhar outra vez”. Como falar em olhar outra vez quando muitos se negam até mesmo a olhar uma primeira vez?
O respeito não é voltívolo como nossas conveniências. O respeito existe ou não existe em acordo ou desacordo com as nossas atitudes – sem meio termo, concessões ou interpretações que atribuímos para legitimar nossos interesses ou displicências.
Se mato um animal ou me alimento dele porque qualifico isso como opção que me foi dada, de fato, ignoro os interesses desse animal. Sendo assim, uma violação motivada por uma das facetas mais viscerosas e usuais do desrespeito legitimado.
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