Desde 2016, a Perdigão diz que se você comprar um Chester uma família carente ganha outro. Ou seja, você não paga para matar apenas um, mas dois animais. Tudo bem. Isso parece uma bela ação, não? Mas por que a Perdigão começou a fazer esse tipo de campanha apenas nos últimos anos?
Vejo como uma iniciativa baseada em uma reação há uma desaceleração no consumo e na venda do Chester. Como não está sendo fácil conquistar o estômago e o bolso dos consumidores, a marca decidiu apelar ao coração. Claro, muitos poderão dizer de boca cheia: “Já fiz a minha boa ação neste Natal. Graças a mim uma família está sendo bem alimentada.”
A ação reforça a equivocada ideia da importância do consumo de carne no Natal e visa destacar o Chester como um dos símbolos da “boa alimentação natalina”, o que não considero coerente. Afinal, é adequado celebrar o Natal a partir da morte de um animal?
“Ok, mas e daí, pelo menos uma família carente vai ter o que comer no Natal e sem precisar pagar por isso.” Certo, mas será que o que essas famílias mais precisam ou desejam é um Chester?
Dizem que esta época torna as pessoas mais solidárias e fraternas. Porém, aos animais criados como alimentos não tenho dúvida nenhuma de que a chegada do Natal marca um período mais violento, em que a matança cresce ainda mais. Ou há como negar que milhões de animais são mortos neste período? Uma suposta boa ação em prol de seres humanos deveria justificar isso? Não há alternativas?
O Chester, com seu valor atrelado a datas comemorativas e à Perdigão, é um animal que vive em média 50 dias no caso dos machos e 35 dias no caso das fêmeas antes de ser degolado, sangrado, escaldado, depenado, eviscerado e resfriado. Imagine como seria viver por tão pouco tempo.
Ninguém precisa da Perdigão para fazer uma boa ação em qualquer época do ano. Basta se inteirar sobre a realidade local, agir por conta própria ou se juntar a grupos de voluntários. Em inúmeros casos não é necessário nem dinheiro, mas somente vontade de ajudar.
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