É comum o ser humano relacionar-se de forma equivocada com outros animais por causa da sua incapacidade em reconhecer que eles, embora semelhantes a nós em importantes aspectos, são diferentes de nós em outros importantes aspectos.
Não é muito adequado limitar-se a usar referências de conduta, emoções e intenções humanas para avaliar o comportamento animal não humano. Não se diz como ele deve portar-se como se fosse criatura humana. Afinal, são indivíduos que têm suas próprias características e particularidades, e ainda pouco compreendidas.
Por nos julgarmos como melhores que eles, nos colocamos em condição de puni-los quando agem em desacordo com o que consideramos o comportamento adequado ou ideal. E este comportamento ideal nada mais é do que a tentativa de humanização da condição animal não humana.
Pune-se os animais com violência quando eles não fazem o que queremos, ou seja, quando não agem como se fossem humanos obedientes. Precisamos evitar cobrar dos outros animais uma consciência humana, porque isso parece-me que tem sido um dos males que envolve a violência contra seres não humanos.
Aplaude-se o animal que parece “mais humano” e despreza-se o animal que tem comportamento avesso ao nosso. Quando penso sobre isso, vejo que ainda estamos distantes de aceitar que os não humanos não são nós, mas exigimos deles algo parecido com o que desejamos em outros humanos.
Para citar um exemplo, um homem espancou um animal por não obedecê-lo. E qual a referência que esse homem tem de obediência quando violenta o animal? A mesma que ele tem em relação a seres humanos. E essa conduta cesarista diz muito sobre quem somos e mais sobre aquilo que não sabemos do que aquilo que sabemos.
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