Um estudo realizado e publicado esta semana pela Chatham House, ex-Instituto Real para Assuntos Internacionais, do Reino Unido, defende que dietas à base de vegetais são melhores para o planeta.
A instituição destaca na pesquisa “Impactos do Sistema Alimentar na Perda de Biodiversidade” que é preciso reduzir as pressões sobre o solo e criar um sistema alimentar mais sustentável.
O estudo defende que é necessário mudar os padrões dietéticos e encorajar mais dietas à base de vegetais. Segundo a pesquisa, em primeiro lugar, até um terço dos alimentos produzidos para consumo no mundo são perdidos ou desperdiçados – o que significa 1,3 bilhão de toneladas por ano – seja na fazenda, em trânsito, processamento, ponto de varejo ou consumo.
Em geral, as maiores diferenças ocorrem entre alimentos de origem animal e de origem vegetal, com os últimos tendo pegadas ambientais menores.
“Em segundo lugar, a pegada ambiental dos alimentos – seu uso associado da terra, emissões de GEE [gases de efeito estufa], uso da água e impacto na biodiversidade – varia significativamente de um produto para o outro”, informa a publicação.
“E em terceiro lugar, a demanda pelos alimentos mais prejudiciais ao meio ambiente é alta e crescente, uma tendência parcialmente associada às transições nutricionais que estão aumentando a demanda por produtos animais.”
Uma transição da carne para o feijão na dieta da população dos EUA, por exemplo, permitiria liberar uma área de 692.918 quilômetros quadrados – o equivalente a 42% das terras cultiváveis do país.
O estudo aponta que isso favoreceria a restauração dos ecossistemas e a prevalência de uma agricultura mais ecológica, incluindo benefícios às metas climáticas.
“Atingindo entre 42 a 74% da meta de redução de gases de efeito estufa dos EUA. Provavelmente contribuiria para uma série de outros bens públicos, incluindo melhoria da qualidade da dieta e redução da incidência de doença relacionada ao consumo excessivo de carne vermelha e processada”, frisa a pesquisa.
“O risco de pandemia também pode ser reduzido significativamente com a redução da criação de animais [para consumo].”
A conclusão do estudo é de que é urgente a necessidade de uma mudança para uma agricultura mais sustentável.
“Reservar terras para a biodiversidade com a exclusão de outros usos, incluindo agricultura, e proteger ou restaurar o habitat natural ofereceria o maior benefício para a biodiversidade em uma determinada paisagem”, defende a pesquisa.
“O valor de preservar habitats e ecossistemas – tanto para o bem da biodiversidade quanto para apoiar o sequestro e armazenamento natural de carbono – tem sustentado muitos dos esforços globais para preservar a cobertura florestal primária, particularmente nos trópicos. Quando se trata de restaurar ecossistemas nativos, o potencial de sequestro de carbono de medidas específicas varia de acordo com a localização geográfica e o tipo de ecossistema nativo subjacente sendo restaurado.”
Clique aqui para ter acesso ao estudo realizado por Tim G. Benton, Carling Bieg, Helen Harwatt, Roshan Pudasaini e Laura Wellesley, da Chatham House.
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