Opinião

O que te impede de ser vegano?

Há pessoas que costumam dizer que não se imaginam sem consumir alimentos de origem animal. Por que não? Paladar? Costume? Conforto? (Foto: Maurice/Flickr (CC BY 2.0)

Você já se perguntou o que te impede de ser vegano? Em muitos casos, as pessoas não dão uma chance ao veganismo porque o complicam, têm uma ideia equivocada ou porque acreditam que seja impraticável ou incompatível com seu estilo de vida e suas predileções.

Existe ainda uma forte crença de que o veganismo “é possível para o outro, mas não pra mim”, ou que “eu jamais conseguiria ser vegano” ou ainda “porque não gosto de veganos nem do veganismo”. Mas e se você enumerasse, de forma racional e honesta, sem deboche, sem passionalidade, quais são os fatores que o impedem de trilhar esse caminho?

Avalie suas razões

Será que consideraria, pensando com profundidade a respeito, que suas razões são justificáveis ou que são bons argumentos? Sugiro que, caso você classifique o veganismo como impossibilidade, que anote algumas razões pelas quais não vê problema em tomar parte na exploração animal – seja por meio do consumo ou de qualquer outro fim.

Então avalie cada uma dessas razões. Quantas soam plausíveis? Você acredita que se sustentam de forma justa diante da realidade ou será que são pretextos que criamos quando rejeitamos mudanças? Realmente crê que não há nada que possa ser feito para mudar isso?

Não é novidade para ninguém que somos criaturas de hábitos, e tendemos a defendê-los o máximo que podemos diante de transformações à nossa volta que são um convite à reflexão e ação sobre o nosso papel no mundo.

Paladar? Costume? Conforto?

Há pessoas que costumam dizer que não se imaginam sem consumir alimentos de origem animal. Por que não? Paladar? Costume? Conforto? Outros também já disseram isso um dia, até que decidiram experimentar uma mudança e muitos continuam nesse caminho até hoje, e tendo muito mais prazer em se alimentar do que antes.

Independente de quais sejam suas justificativas para não dar uma chance ao veganismo, todas, por mais verdadeiras que pareçam a você, são mutáveis, logo transitórias, assim como nossa predisposição em relação a muitas coisas que avaliamos, até determinado momento, considerando unilateralmente nossos interesses.

Inúmeras decisões que tomamos, incluindo aquelas que nos parecem bem simples, nem sempre envolvem apenas nós mesmos. Porém, acreditamos que sim até o dia em que nos permitirmos enxergar um pouquinho além, assim entendendo que vivemos em um tempo em que temos condições de assumir responsabilidades sobre o que incentivamos e estimulamos a partir de nossas decisões de consumo.

Um ponto de ruptura

A realidade da exploração e violência contra animais por trás dos nossos hábitos de consumo, que encontra franca oposição no veganismo, pode ser um ponto de ruptura para qualquer um. Mas e se não for? Bom, é preciso começar de algum lugar.

Ainda que neste momento você não se sensibilize com o sofrimento animal, isso não significa que tal sofrimento não existe. Então apenas permitir-se considerar tal cenário e refletir a respeito já pode ser o suficiente para estimular o despertar de uma consciência em que não miramos apenas nossas vontades e predileções, mas também incluímos as vontades dos outros, neste caso, os animais não humanos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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