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Pesquisador desenvolve bioembalagem de fécula de mandioca em Botucatu

Bioembalagens que já estão sendo comercializadas por Pupo (Foto: Divulgação)

Com a crescente preocupação com o meio ambiente e o impacto gerado por embalagens que podem levar centenas de anos para se degradarem, cada vez mais pesquisadores têm trabalhado em busca de alternativas menos nocivas à natureza. Pensando nisso, o pesquisador Humberto Pupo decidiu fundar a Nastiê e desenvolver embalagens biodegradáveis na Incubadora Botucatu, do programa Incubadora SP.

Pupo optou pela mandioca como matéria-prima e hoje já produz até 20 mil bioembalagens por mês. O processo consiste na criação de uma biomassa a partir de fécula de mandioca, água e resíduos naturais de cana e bambu, que é superaquecida para ganhar forma de bandejas e pratos.

Uma das vantagens desse tipo de embalagem é que a mandioca é uma matéria-prima abundante e de fácil acesso no Brasil. Além disso, a bioembalagem não leva mais do que semanas em contato com o solo para se decompor. Também pode servir como compostagem para hortas e jardins.

O produto de Nastiê já tem sido utilizado por empresas que atuam no ramo de hortifruti orgânico. No entanto, Pupo prevê que a tecnologia pode se tornar uma aliada na produção em grande escala.

O que pode contribuir para isso é que a embalagem de fécula de mandioca custa apenas alguns centavos mais caro do que as embalagens convencionais de isopor ou plástico. Então é possível ser mais competitivo dependendo da demanda e do incentivo oferecido à tecnologia de bioembalagens.

Humberto Pupo também faz questão de deixar claro que o objetivo não é simplesmente comercializar o produto, mas também promover conscientização sobre as consequências do descarte de resíduos – principalmente plástico e isopor.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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