A pintora canadense Chantal P. Durocher define o seu trabalho como “uma homenagem aos animais” – principalmente aqueles que matamos para consumo.
Em suas pinturas, bovinos, suínos, galináceos, ovinos e caprinos estão entre os seres não humanos carregados de uma expressividade que clama à nossa consciência e sensibilidade.
Eles olham para nós com expressão pacífica e simpática, que reforça uma natureza sensível e benevolente, assim como um pedido pela não redução de suas vidas a alimentos e outros produtos. Alguns parecem sorrir para o espectador, mesmo sem abrir a boca.
Outros manifestam estados de doçura e vulnerabilidade também por meio das lágrimas que precedem os seus tristes destinos e de seus semelhantes.
Os detalhes amparados pelas ricas nuanças do realismo dão às pinturas de Chantal Durocher um caráter quase fotográfico e testemunhal. Afinal, é como se estivéssemos diante daqueles animais, que mimetizam emoções e sentimentos de bilhões de mortos para consumo por ano.
“Sou vegana e uma artista profissional há mais de 30 anos. Tento usar meu talento para homenagear os animais que exploramos”, explica Chantal, que desde 2009 vive no Panamá com o marido e inúmeros cães resgatados de situações de maus-tratos.
Além de conceber por meio da pintura animais em situações de liberdade e confinamento, a artivista canadense tem obras em que explora com sutileza o antropomorfismo, em um exercício de “mesclar sem mesclar” que incita a reflexão de que todos estamos conectados na rede da vida – numa cadeia de impactos que o seu reconhecimento depende apenas da nossa percepção.
Partindo dessa consideração, podemos reconhecer e valorizar o fato de que os animais coisificados também sentem, partilham de sentimentos análogos, por isso merecem nossa empatia e respeito. Afinal, e se fôssemos nós no lugar deles?
“Há alguns anos, depois de ler, fazer algumas pesquisas e assistir ao chocante documentário ‘Earthlings’, com Joaquin Phoenix, decidi usar meu talento para aumentar a conscientização sobre a situação dos animais criados para consumo, pintando a beleza e a vulnerabilidade daqueles seres bonitos e sensíveis”, relata.
E acrescenta: “Pinto os animais que exploramos de uma maneira que não podemos nos afastar deles. Eles estão completamente lá, totalmente sencientes e conscientes.”
Além de chamar a atenção para a importância de não tomarmos parte na exploração dos animais, Chantal P. Durocher também já doou e ainda doa pinturas para entidades que atuam em defesa dos direitos animais, com o objetivo de ajudar na arrecadação de recursos.
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