Categorias: Opinião

Podemos mudar nossa percepção sobre os animais

Foto: Austin Farm Sanctuary

Posso falar sobre como é triste perceber que muitas pessoas não se importam com a realidade de animais criados para consumo ou impactados por nossos hábitos. Por outro lado, penso em “predisposição”, palavra que considero importante.

Quando compartilhamos algo sobre os animais, seja uma imagem, um texto ou os dois, as pessoas que se interessam em dar franca atenção a isso são pessoas predispostas.

Posso pensar naquelas que já concordam comigo, mas também posso pensar naquelas que não têm a mesma percepção, porém têm predisposição. Muitas mudanças dependem disso, de predisposição, principalmente em relação ao saber, ao conhecer, ao desenvolver outra perspectiva.

Não devo pensar somente em quem antagoniza essa questão, nas impossibilidades, mas também naqueles que não têm uma posição definida sobre isso, porque nunca pensaram com seriedade a respeito, até por influência do meio, de fatores culturais e sociais.

É óbvio que mesmo quando visamos um bem aos outros não somos capazes de mudar tudo que queremos e na proporção que queremos, mas toda mudança tem potencial de ser multiplicadora, ainda que percebida como aquém do desejado. Dar somente atenção a uma ideia de “mudança que não acontece” nos impede de ver “a mudança que acontece”.

Nunca deixo de pensar que o sofrimento animal decorrente da exploração nunca cessa, mas não posso restringir meu pensamento a isso, ignorar que as transformações dependem também do quanto estamos motivados em chamar atenção de quem tem predisposição.

Quando alguém me fala de pessoas que nunca serão veganas, por exemplo, não discordo que hoje pode ser que essas pessoas possam ser observadas dessa maneira – como “nunca serão”.

Contudo o “nunca serão” é o “nunca” de hoje. O ser humano é criatura de transformações, então não podemos afirmar isso sobre o futuro, projetando uma ideia definitiva sobre uma “uma vida toda”.

Por que deixar de ter esperança na “predisposição do hoje” que pode influenciar as “predisposições do amanhã”?

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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