Publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 23 de julho, a Portaria nº 365, que atualiza normas e protocolos de bem-estar animal, estimula o abate de vacas em final de gestação.
Abate de vacas prenhes consideradas “descartáveis” já era autorizado no Brasil desde 2017, por meio de uma mudança no Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). No entanto, não era regulamentado dentro de um protocolo de “bem-estar animal”.
Sobre o endosso ao abate de vacas que tenham chegado a até 90% do ciclo de gestação, o que equivale ao oitavo mês, a fiscal estadual agropecuária do Rio Grande do Sul, Raquel Cannavô, disse ao Globo Rural que a expectativa era de que uma portaria de “abate humanitário” não permitisse esse tipo de prática.
“Para a nossa surpresa, a portaria regulamentou o abate de vacas em fase final de gestação. A mãe é insensibilizada, mas o feto não é insensibilizado – o que já contraria as regras de abate humanitário. E esse feto fica se debatendo dentro do útero durante toda a etapa de sangria da vaca, que dura três minutos”, relatou.
Segundo Raquel, ao final da sangria, o feto é retirado pela barriga da mãe ainda dentro do útero. “Onde ele continua vivo por mais alguns minutos até morrer de asfixia, de forma agônica”, disse a veterinária.
Ao Globo rural, ela também citou que até 2017 a legislação não permitia que carcaças de vacas prenhes fossem vendidas para consumo in natura. Com a alteração, houve aumento do número dessas vacas enviadas para os matadouros – chegando a triplicar.
“Tornou-se comum, ocorre quase todo o mês, de uma vaca parir no curral do frigorífico, momentos antes do abate”, frisou Raquel, citando também que o sofrimento é usual no transporte do animal.
Vale lembrar que no Brasil até 30% das vacas leiteiras são abatidas ao ano. O abate é comum principalmente entre novembro e janeiro, mas há casos em que o “descarte” ocorre até fevereiro ou março.
O número de vacas exploradas para produção de leite e carne no mundo é de mais de um bilhão, de acordo com um levantamento da organização Proteção Animal Mundial. A maioria é submetida a um sistema industrial em que não é permitido pastar ou manifestar comportamentos naturais.
Clique aqui para saber mais sobre o destino das vacas na pecuária.
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