Para os animais a libertação ainda é irrealização. Se produzem o suficiente, morrem pela eficiência, se produzem pouco, morrem pela ineficiência. Então ser um animal criado para consumo é transitar para um fim que pode ser cedo ou mais cedo.
São criaturas em suspensão, mantidas por cordas que rompem-se com o desejo humano. Melhor seria se fossem lançados para terreno macio, longe de nossas mãos, bocas e interesses, e que pudessem vaguear ao distante, munidos de autossuficiência.
Como esperar que isso aconteça se é sobre vítimas domésticas? Criaturas trazidas ao mundo como produtos podem livrar-se da violência física, do matadouro, não de imposições congênitas, de violências biológicas.
A docilidade não humana, que como efeito condicionado é potenciação da servilidade, lembra-me o exemplo de um novilho que fugiu para sobreviver em um pedaço de mata. Lá adoeceu e quase morreu.
Queria viver, mas não foi equipado com os referenciais da sobrevivência, impossibilitados por sua condição de criatura doméstica – trazida ao mundo por manipulação e para manipulação.
Seu estado de perdição é uma vacilação entre o ser e o querer, e favorece conflitos de grande desproporcionalidade em tentativa de prevalência de resistência, porque não anula sua dependência.
Então a tragédia de um animal não pode ser avaliada somente pelo fim que ele tem ou pode ter, mas também pela criação que assim o condicionou a ser.
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