Um homem que mantém um chiqueiro viajou até outra cidade, e nesse ínterim um porco fugiu de sua propriedade – o que não é anormal. Até porque, mesmo animais criados para consumo desde o nascimento podem não apenas aspirar a liberdade como buscá-la – o que explica muitas fugas.
Afinal, imagine ser mantido em um pequeno espaço a vida toda, sabendo que existe algo além daquele universo diminuto. Animais criados para consumo, gozando não apenas da senciência mas também de níveis de inteligência, também são capazes de reconhecer que há algo maior do que o espaço relegado a eles.
Então se houver uma chance de ir pouquinho além, muitos desses animais vão aproveitar essa oportunidade. Prova disso são bois, vacas, bezerros, porcos, frangos e galinhas em fuga, seja de pequenos espaços de confinamento, a caminho do matadouro ou mesmo instantes antes do abate – quando reconhecem a iminência da morte.
O porco desta história reconheceu isso e perambulou o máximo que pôde, mas não foi tão longe. Sua jornada foi interrompida em um quintal, por alguém que se aproveitou de sua ingenuidade, ignorou sua expressão já diluída em medo e o abateu sem considerar qualquer outra possibilidade.
Isso foi feito apenas para reduzir uma vida, que poderia ultrapassar 15 anos, a pedaços de carne – uma conquista baseada em violência e gritos de desespero e terror. A reparação pela morte do porquinho foi um acordo em que o matador se responsabilizou em restituir “o valor perdido” pelo dono do chiqueiro.
Quanto vale a vida de um animal? Na nossa sociedade, mortes são sempre justificáveis e comemoráveis se o valor for considerado compensatório. Não dá pra negar que somos culturalmente bárbaros em relação a muitas espécies. Se não vemos vida onde há um coração batendo até 120 vezes por minuto, o que isso diz sobre nós?
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Fico muito feliz por saber que existem pessoas como você, que se dispõem a usar todo o talento que possuem para defender os animais. Te agradeço tanto que nem consigo expressar! <3
Muito obrigado mesmo, Dalva!