É intrigante reconhecer como dados sobre a realidade do impacto ambiental são sempre considerados “sensacionalistas” por quem está preocupado apenas com o próprio bolso ou com o bolso daqueles que podem beneficiá-lo.
Por outro lado, só não é “sensacionalista” quando dissimulam ou adulteram dados de impactos econômicos em convergência aos seus interesses – em tentativa de justificar o injustificável a partir do falseamento de uma minimização de consequências.
Isso é tática usada também por governos, não apenas pela iniciativa privada. Falsos pretextos econômicos, de benefícios coletivos (que nunca são tão coletivos quanto parecem), são uma boa forma de tentar amenizar (fazer crer) a gravidade de crimes contra a natureza. Também são eficazes em dividir a opinião pública, mais ainda na ausência de um mínimo de educação ambiental.
No entanto, não há atividade econômica no mundo que afete diretamente, e por conveniência, o meio ambiente, proporcionando graves impactos que só não existiriam a partir de sua irrealização, que seja justificável em suas próprias ações, já que os custos para recuperar uma área afetada podem (e costumam) ser (quando reversíveis) absurdamente superiores ao lucro gerado.
E aqui vale a reflexão: “O sacrifício realmente vale o benefício?” Ademais, não é novidade que as consequências também se estendem a muitos que nunca tomaram ou tomarão parte nessa atividade, mas ainda assim sofrerão e talvez por tempo indeterminado os resultados dessa oportunista displicência. Logo a apatia e o silêncio nos são caros.
Neste caso, vale outra reflexão: “O que parece-me mais digno dos artifícios do sensacionalismo, a exploração ou a não exploração?” Sendo que o grande ganho financeiro advém da primeira, e quem o busca nesse contexto referencial pode não ver problema em ludibriar para lucrar.
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