Categorias: Destaques

Brasil tem mais de 82 mil caçadores registrados

Em 2019 foram concedidas 22.607 autorizações de caça de javalis, o que representa média de três mil por mês (Foto: Shutterstock)

De acordo com informações do Instituto Sou da Paz, com base em dados coletados junto ao Exército, o Brasil chegou ao final de 2019 a um total de 82.567 caçadores com registros ativos de CACs. No total, incluindo também colecionadores e atiradores, somando então 396.955, o crescimento foi de 50% em relação a 2018.

No Brasil, levando em conta números de registros ativos, São Paulo ocupa o primeiro lugar. Em seguida, vêm Paraná e Santa Catarina, que dividem a mesma posição, e Rio Grande do Sul. Depois se destacam Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Mato Grosso.

Hoje o que favorece esse cenário são medidas vigentes como a Instrução Normativa 12/2019 do governo federal, que permite, tanto por meio do uso de armas brancas quanto de fogo, a caça de espécies silvestres consideradas invasoras – como o javali.

Só em 2019, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foram concedidas 22.607 autorizações de caça de javalis, o que representa média de três mil por mês.

Números podem estar bem distantes da realidade

Desse total, houve confirmação de abate de 19.810 javalis, embora o número possa estar muito abaixo da realidade se considerada a matança desses animais sem autorização ou omissão de notificação aos órgãos competentes.

Embora esses números sejam uma valiosa referência para situar a realidade da caça no Brasil, é importante considerar que no país há um número ainda indefinido de praticantes de caça não registrados.

Além disso, os estados que mais concentram caçadores registrados, e somam o maior número de lojas de armas de fogo e clubes de tiro, estão entre os campeões em caça ilegal.

Outro ponto a se considerar é que a caça contribui com o tráfico de animais silvestres, que faz 38 milhões de vítimas só no Brasil, segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas).

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

6 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago