Categorias: Opinião

Alimentar-se de animais significa concordar com exploração

Se as pessoas não concordam em se abster de encarar animais como fontes de produtos, então elas concordam com a exploração e com a matança de animais (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

O veganismo é um imperativo moral sob a perspectiva da imprescindibilidade e da incontestabilidade, não da arbitrariedade. Até porque quem impõe algo são os seres humanos ao decidirem quando e como as outras espécies devem nos servir.

Uma “escolha que custa privação, sofrimento e/ou morte

Se as pessoas não concordam em se abster de encarar animais como fontes de produtos, então elas concordam com a exploração e com a matança de animais, já que os dois elementos estão associados.

Não matar seres humanos também é um imperativo moral, já que sabemos quais são as implicações disso, e não falo sob uma perspectiva legal, mas sim de estado de senciência e consciência, além do construto social.

Se posso não causar dor por que causá-la? Se posso não interferir negativamente na vida de alguém, humano ou não, por que fazê-lo? Se você entende que isso é desnecessário e errado, você compreende essa premissa como um imperativo moral, porque você considera inadmissível “escolher comer algo” que custa condicionamento, privação, sofrimento e/ou morte.

Quando os interesses dos animais não fazem a menor diferença

Não há alimentos e outros produtos de origem animal se não nos apropriarmos do que pertence a seres de outras espécies. Nessa apropriação, submetemos outras criaturas sencientes aos nossos anseios e caprichos. Afinal, passamos a estimular e a financiar a geração de vidas de outras espécies somente para atender interesses pautados em nossos gostos e vontades.

O que significa que os interesses dos animais não fazem a menor diferença quando o que queremos é usufruir daquilo que não é essencialmente produzido por nós, mas que gostamos de dizer que sim, já que temos os instrumentos necessários para favorecer tal produção. Mas se o que produzimos não é mormente gerado por nós, como podemos dizer que somos, de fato, produtores?

Acredito que o veganismo é um imperativo moral porque não cabe suscetibilidade e relaxamento. Afinal, você não acorda e diz: “Hoje comerei algo que custou a vida de um animal que não queria morrer.”

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

4 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago