Após o alemão Armin Meiwes comer a carne de um homem que conheceu por meio de um fórum on-line, alegando que a consumiu com seu consentimento, ele disse que é semelhante à carne de porco. Meiwes ficou conhecido como O Canibal de Rotemburgo.
Mais tarde, alguns filmes, como os de Eli Roth, exploraram isso, mas por meio de personagens que comem carne humana acreditando que é carne de porco. Ou seja, na não exposição da verdade, um animal é como outro animal ao próprio paladar humano.
Há muitos casos, até mesmo recentes, de pessoas que comeram carne humana sem saber que era humana, e jamais teriam sabido se a verdade não fosse revelada. A carne então é consumida sem que a experiência de comê-la faça pensar que quem come é da mesma matéria de quem é comido. Até porque não imaginam que tenham razão para isso. Humanos também já fizeram o mesmo com outros animais, impondo-lhes o canibalismo.
Alimentaram muitos bovinos com restos de bovinos e de outros animais reduzidos a tipos de farináceos – o que deu origem ao que foi chamado de “doença da vaca louca”. Os bovinos não sabiam o que estavam comendo. Foi o interesse por fazer o animal “se desenvolver mais rápido” para ser morto, na busca pelo lucro, e que, claro, corresponde à demanda, que levou humanos a tal prática contra a natureza desses animais herbívoros.
É válido refletir sobre o canibalismo, mesmo involuntário, já que muitos costumam dizer que comem carne de outros animais porque tem proteína, e como se somente a carne de outros animais, escolhidos para esse fim, tivessem proteína. A nossa carne também tem proteína, então nessa afirmação de proteína, não poderíamos deixar de pensar em nós mesmos também como proteínas.
E não é esse fato que também reafirma um elemento intrínseco à animalidade que compartilhamos com tantos outros animais? Se eles podem ser considerados comíveis, e nós não, não é porque não temos uma condição material comível, mas pela cultural e legal reprovação e inadmissibilidade do canibalismo.
Porém isso não deixa de expor a contradição inerente à afirmação de que o ato de comer um animal não humano é aceitável porque ele “é proteína”, porque proteína é o que também somos.
Leia também “E se fosse anulada a diferença entre carne humana e não humana?“, “Agustina Bazterrica coloca humanos no lugar de animais em ‘Saboroso Cadáver’” e “Será que somos assassinos aos olhos dos animais?“
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