Em entrevista à Agência France-Presse, a primatologista Jane Goodall disse esta semana que estamos condenados se o meio ambiente continuar sendo negligenciado. “Estamos literalmente nos aproximando de um ponto sem volta. Olhe ao redor do mundo e veja o que está acontecendo com as mudanças climáticas. É assustador”, disse.
Ela já havia declarado, em conferência realizada pelo Parlamento Europeu, que é por causa do nosso desrespeito aos animais silvestres e domésticos reduzidos a produtos de consumo que hoje os espaços naturais também estão se tornando ambientes em que as doenças podem atravessar a barreira das espécies e se transferir de um animal não humano para um humano.
“Somos parte do mundo natural e dependemos de ecossistemas saudáveis. Estamos condenados”, declarou Goodall à AFP. Porém, ela também manifestou esperança em relação a uma mudança, destacando que “temos as ferramentas” para começar a reverter os danos ecológicos.
Para a primatologista, é o anseio pelo lucro acima de tudo que tem agravado esse cenário. “Nos deparamos com o pensamento de curto prazo de ganho econômico versus proteção de longo prazo do meio ambiente para o futuro.”
Jane Goodall também já havia lamentado o fato de que agrupamos cruelmente bilhões de animais no mundo todo que serão mortos para consumo. Segundo a primatologista, não há como não imaginar que isso tem consequências.
Ela defende o respeito ao mundo natural. “Temos que perceber que fazemos parte do mundo natural, dependemos dele e, ao destruí-lo, roubamos o futuro de nossos filhos.”
Em um artigo publicado em seu site, Jane Goodall destacou:
“Quantidades enormes de água estão sendo desperdiçadas para transformar a proteína vegetal em proteína animal. […] Os aquíferos subterrâneos também estão diminuindo e se tornando poluídos, e frequentemente por causa do escoamento de produtos químicos agrícolas ou por causa das ‘lagoas’ de resíduos produzidos pelos próprios animais [criados para consumo]. Precisamos considerar a grande quantidade de metano gerada pelo sistema digestivo dos animais, especialmente os bovinos – um gás com efeito estufa muito mais potente do que o CO2. As grandes quantidades de combustíveis fósseis utilizados para manter toda a produção industrial de carne estão aumentando absurdamente os gases do efeito estufa.”
Além desses apontamentos e críticas, há muito tempo a primatologista qualifica a dieta à base de vegetais como mais benéfica para a saúde. Costuma citar a si mesma como exemplo, argumentando que assim que parou de se alimentar de animais, imediatamente sentiu-se melhor e mais leve. “Muitas pessoas me disseram o mesmo”, pontuou em seu artigo.
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