Siberto recolhia ossos em um açougue uma vez por semana. Ele nunca explicou qual era a finalidade e o dono do açougue também nunca se importou.
Um dia um dos funcionários reclamou: “Esse Siberto é muito folgado. Ele leva osso daqui sem pagar e nunca compra nada. Não tá errado isso?”
“Deixe, rapaz. Ele só carrega o que a gente descartaria mesmo, e eu ainda teria gasto com combustível ou frete pra tirar esse descarte daqui.”
O que Siberto levava também era considerado impróprio para a venda e para consumo. Suspeitavam que o homem fosse um artesão que desenvolvia peças a partir de ossos.
“Ainda quero saber o que esse sujeito faz com esses ossos. Não falta uma semana”, insistia o funcionário. “Deve tá lucrando, hein?” “Pra mim, o que ele faz não importa. Já disse que sou grato só dele levar isso daqui.” “Ok…então tá.”
Siberto passou anos recolhendo ossos no mesmo açougue, até que numa semana não apareceu. Por curiosidade, descobriram onde ele morava, falaram com vizinhos e souberam que morreu.
Muitos anos depois, quando sua esposa faleceu e seu irmão vendeu a chácara, o comprador estranhou que havia uma área isolada, onde ninguém poderia entrar.
Começaram a limpar o lugar com máquinas e encontraram ossos – de bovinos e suínos. Pensaram que Siberto poderia ter deixado animais morrer e enterrado ali.
A suspeita partiu como surgiu, porque ninguém nunca o viu criando qualquer espécie de animal. Após dias remexendo o solo, acharam uma pequena placa de madeira com frases entalhadas dos dois lados: “Aqui estão os restos dos inocentes – Coitados dos inocentes.”
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