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Tecnologia brasileira pode reduzir testes em animais na indústria farmacêutica

Tecnologia tem o intuito de ser mais ética porque reduz o número de testes em animais (Foto: Getty)

Cientistas brasileiros do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) estão desenvolvendo miniórgãos que podem reduzir os testes em animais na indústria farmacêutica. Os organoides são feitos com células humanas, em escala micrométrica, e exercem a mesma função de órgãos humanos como intestino e fígado.

Para avaliar a eficácia dos miniórgãos, o Cnpem já realizou testes utilizando paracetamol, que é uma droga farmacológica bastante consumida no Brasil e sobre a qual se tem uma gama de informações em relação aos efeitos em humanos.

“O que a gente conseguiu mostrar nesse estudo inédito foi que o intestino artificial que a gente construiu em laboratório, bem como o fígado, se comportaram de maneira semelhante ao corpo humano”, explica a pesquisadora Talita Marin.

E acrescenta: “Ou seja, o nosso intestino conseguiu absorver o paracetamol e o fígado metabolizou esse paracetamol e também demonstrou efeitos tóxicos do paracetamol, como acontece no ser humano também.”

De acordo com a pesquisadora, os miniórgãos reproduzem as funções biológicas e genéticas do organismo humano com muita semelhança. Nesse sistema, os órgãos foram conectados entre si por um fluxo sanguíneo e ligados a equipamentos que reproduzem as condições fisiológicas do corpo humano.

“Essa tecnologia que nós estamos implementando e desenvolvendo tem esse intuito, de ser um teste mais robusto, diminuir o custo do desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, ser mais ético, porque reduz o número de [testes em] animais”, enfatiza Talita Marin e acrescenta que o próximo passo é  testar outros medicamentos de efeitos bem conhecidos utilizando o mesmo modelo.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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