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Rejeitos de minério da Vale comprometem a mata atlântica de Brumadinho

Agora será preciso lidar com as consequências em uma área que equivale a 24,22% do bioma original (Foto: Douglas Magno/AFP)

De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, antes do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão em Brumadinho, Minas Gerais, o município possuía 15.490 hectares de remanescentes de mata atlântica acima de três hectares, o equivalente a 830 campos de futebol. Agora será preciso lidar com as consequências para uma área que representa 24,22% do bioma original.

Ainda não é possível estimar a totalidade do impacto dos rejeitos de minério da Vale para o meio ambiente, assim afetando também a fauna na região, mas a SOS Mata Atlântica lembra que o deslizamento ocorreu na região da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, que é formadora da Bacia do Rio São Francisco, um dos principais mananciais de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“A qualidade da água do Rio Paraopeba antes da tragédia, segundo dados do Comitê de Bacias da região, era de regular para boa. Com o rompimento e a piora da qualidade do rio, a escassez hídrica poderá se agravar”, informa a fundação que defende que o Brasil precisa de um licenciamento ambiental mais sério e eficiente do ponto de vista técnico, que considere a vocação da região, características do entorno e riscos para as comunidades locais.

A SOS Mata Atlântica enfatiza também que muitas barragens no Brasil estão em áreas de cabeceiras dos rios e, com isso, os deslizamentos podem afetar bacias inteiras, colocando em risco o meio ambiente e os serviços ambientais para a população.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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