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Visons contraíram covid-19 em 11 países que investem na indústria de peles

Essa é a vida de cada vison criado em cativeiro até o dia de ser abatido e ter sua pele arrancada para atender uma predileção de consumo (Foto: Andrew Skowron)

De acordo com um levantamento da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), visons já contraíram covid-19 em 11 países que investem na indústria de peles.

Ou seja, são as condições às quais esses animais são submetidos para atender a demanda da indústria de peles que já levaram países como Canadá, Dinamarca, França, Grécia, Itália, Lituânia, Holanda, Polônia, Espanha, Suécia e EUA a registrarem surtos da doença em fazendas de criação de visons.

O novo coronavírus se espalha com facilidade por essas instalações em que os animais são mantidos em gaiolas e ainda convivem com diversos indivíduos em ambientes muito estreitos. Por padrão, essa é a vida de cada vison criado em cativeiro até o dia de ser abatido e ter sua pele arrancada para atender uma predileção de consumo.

Más condições

“Não há espaço o suficiente. As condições em que são forçados a viver são imundas. [Além disso], como resultado de estresse crônico, os animais em fazendas de peles recorrem à automutilação ou canibalismo”, revela a PETA.

E acrescenta: “Animais feridos na indústria de peles geralmente não recebem cuidados veterinários. Não é nenhuma surpresa que essas condições horríveis levaram a um número crescente de países com surtos de covid-19 em visons. Essa nova ameaça mortal é mais uma razão pela qual a PETA e pessoas compassivas do mundo todo estão clamando pelo fim imediato do comércio global de peles.”

A entidade destaca ainda que a única ameaça não é o novo coronavírus, mas uma grande variedade de patógenos que podem infectar visons, raposas e guaxinins. E são doenças com grande potencial zoonótico, ou seja, de infectar humanos.

Outras doenças

“A hepatite E, uma doença viral, pode causar inchaço e danos ao fígado, icterícia e falta de apetite em humanos. A tularemia é uma doença bacteriana que comumente afeta quem trabalha com peles [de animais] – até mesmo um pequeno número de bactérias pode causar infecções potencialmente letais.”

A organização reforça que esse tipo de atividade apenas ajuda a agravar a situação global que já é muito preocupante. “Qualquer indústria em que os humanos lidam com animais apresenta o risco de transmissão de um vírus recém-desenvolvido ou de surtos de doenças de animal para humano. Pelo bem dos animais, dos humanos e de nosso planeta, devemos acabar com o cultivo de peles.”

Clique aqui para apoiar uma petição da PETA contra esse mercado.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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