Literatura

Walt Whitman: “Acho que eu poderia ir viver com os animais”

Whitman: “Nem um está insatisfeito, nem um está demente com a mania de possuir coisas” (Imagem: Getty)

Acho que eu poderia ir viver com os animais, eles são tão plácidos e reservados,
Eu esbarro e os observo longamente.
Eles não suam nem se queixam de sua condição,
Não ficam acordados nas trevas nem lamentam seus pecados,
Não me enjoam discutindo seu dever com Deus,
Nem um está insatisfeito, nem um está demente com a mania de possuir coisas,
Nem um se ajoelha ao outro, nem à espécie que viveu milhares de anos atrás,
Nem um é respeitável ou infeliz sobre toda a terra.
Então eles mostram suas relações comigo e eu as aceito,
Eles me trazem sinais de mim mesmo,
Eles os evidenciam francamente em sua posse.
Me pergunto onde conseguem esses sinais,
Passei por lá há longas eras e negligentemente os larguei?

Página 32 de “Leaves of Grass” ou “Folhas de Relva”, lançado em 1855 pelo poeta estadunidense Walt Whitman (1819-1892). O título faz menção a uma relva que incorporada na natureza carrega também a essência e o espírito dos humanos e dos animais. Na obra, Whitman exalta a vida em todas as suas formas, ressaltando que a poesia é inerente tanto à natureza quanto ao ser humano.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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