Opinião

88 bilhões de animais são abatidos para consumo por ano

Fotos: Reuters/Anita Krajnc/Animal Equality

De acordo com a organização Humane Society International (HSI), o número de animais criados e abatidos para consumo por ano no mundo já chegou a 88 bilhões. Isso equivale a mais de 11 vezes a população humana global.

E a maior parte desses animais é criada no sistema intensivo, ou seja, em condições em que são incapazes de manifestar comportamentos naturais em consequência da privação, já que são mantidos em pequenos espaços por toda a vida.

“A criação de animais para consumo é responsável por cerca de 14,5% – 16,5% das emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem no mundo todo, em paridade com os níveis de emissões de todo o setor de transportes”, acrescenta a HSI.

Vale lembrar que o Brasil é o terceiro maior produtor de carne do mundo e o maior exportador global de carne bovina, o que significa que sua contribuição à matança de animais para consumo e ao impacto ambiental decorrente dessa produção está entre as maiores do planeta. Além disso, é o maior produtor e exportador de soja destinada a alimentar animais criados para o abate.

Também não é novidade que a produção de carne, leite e ovos requer grandes quantidades de água, mesmo em relação à carne não bovina. “A produção de um quilo de frango requer em média 4.325 litros de água, ante 1.644 litros necessários para a produção de um quilo de cereais ou leguminosas”, informa o estudo “The Water Footprint: The Relation Between Human Consumption and Water Use”, de Arjen Y. Hoekstra.

Maiores vítimas e necessidade de mudança

A Organização das Nações para Alimentação e Agricultura (FAO) já reconheceu a pecuária como um dos dois ou três principais contribuintes para os mais sérios problemas ambientais do mundo.

As maiores vítimas terrestres do nosso sistema alimentar são as aves, principalmente os frangos, que morrem aos bilhões por ano só no Brasil e também são os mais negligenciados em relação ao chamado “bem-estar animal”.

Além disso, o Brasil tem um rebanho bovino que supera de longe a sua população humana 252 milhões e 213,3 milhões – e esse é um dos fatores mais associados ao desmatamento e subutilização e degradação do solo, além da pecuária ser uma atividade econômica que gera grandes emissões de GEE também a partir do metano (muito mais potente do que o CO2) e de resíduos animais.

É surpreendente saber que tantos animais, que se alimentam de vegetais, são mortos para fins alimentícios quando temos condições de evitar criar animais e optar pelo consumo de vegetais e de alimentos de origem vegetal que não apenas demandam menos recursos como água e terra e emitem menos poluentes, mas evitam tantas mortes desnecessárias de criaturas de outras espécies, e não “apenas” de vítimas da pecuária como também das afetadas pelo descaso em relação à preservação da biodiversidade.

Se não mudarmos, não poderemos esperar o melhor para as próximas décadas, quando a população humana será muito maior e provavelmente a criação de animais para abate também se não houver uma conscientização mais massiva sobre a importância de novos hábitos alimentares. Afinal, as consequências estão se agravando mais, inclusive em relação ao surgimento de novas doenças zoonóticas associadas à pecuária e ao consumo de animais.

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David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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