Posso olhar para um animal e dizer que sua dor é pequena, que sua dor é ausente, e acreditar nisso não porque é verdade, mas porque prefiro e posso acreditar.
Posso ter uma crença baseada na irrealidade. Não há tantas que servem a tantos dissimulados propósitos? E a minha verdade, posso atribuir-lhe realidade, ainda que inverdade.
Posso negar empatia aos outros animais, amparando-me em suas diferenças que defino como inferioridades. Então suas queixas tornam-se tão minúsculas, não porque são, mas porque digo.
Posso observá-los a caminho do matadouro e afirmar que tiveram a boa vida que não tiveram e, se parecem desalentados, digo apenas que é ilusão, delírio, mania de antropomorfismo.
Posso afagar um animal e ignorá-lo no meu prato e, na dimensão da distanciação, mastigo sem perceber que o cheiro daquele afago está perto do meu prato.
Posso esquecer que há outros animais em casa que não humanos, cães e gatos, porque os mortos não podem reclamar presença, ainda que a luz da geladeira os ilumine.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…