Quando estava participando da produção do documentário “Maximum Tolerated Dose” ou “MTD”, lançado em 2012, a fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals, viajou para o sudeste asiático para registrar a realidade dos animais criados para serem usados em laboratórios de pesquisa.
O que ela imaginou antes de chegar ao seu destino foi exatamente o que encontrou – animais vivendo em gaiolas, em condições deploráveis, e que mais tarde seriam enviados para a China, onde receberiam documentos falsos e então seriam encaminhados para laboratórios de pesquisas do mundo todo.
Essa realidade ainda é comum. Afinal, esses animais continuam sendo mantidos em cativeiro para atender a demanda da experimentação animal, o que significa que eles são vítimas de vivissecção e de outros testes realizados em nome da ciência e da “segurança da saúde humana”. Ao final, quando esses animais passam a ser considerados “inúteis” após uma série de experiências que normalmente culminam no surgimento de traumas, sequelas e doenças, são “descartados”. Ou seja, mortos.
“Para a nossa surpresa, nós não tivemos acesso a apenas uma instalação de criação de primatas, mas a três. O macaco-de-cauda-comprida, que é o macaco de pesquisa mais vendido em todo o mundo, é mantido preso e cresce em números cada vez maiores nessas fazendas no Laos, no Camboja, no Vietnã, na China e na Indonésia. O negócio de criação de macacos foi mais do que duplicado na última década”, denuncia Jo-Anne McArthur.
A fotógrafa relata que testemunhou a brutalidade da realidade ao documentar não apenas o cotidiano dessas criaturas, mas também suas mortes. “Os animais são mantidos em jejum, degradados pelas hierarquias formadas dentro das gaiolas; os machos mais velhos acumulam comida e os demais lutam, muitos até a morte, pelos restos de alimentos. As imagens dessas fazendas e os animais que vivem lá falam por si. Descrevem uma existência terrificante”, destaca.
Saiba Mais
O documentário canadense “Maximum Tolerated Dose” ou simplesmente “MTD” continua sendo uma importante referência para quem quer conhecer a realidade dos testes em animais. Dirigido por Karol Orzechowski, e que conta com a participação da fotógrafa Jo-Anne McArthur, o título do filme é uma alusão a um termo bastante comum quando se fala em experimentação animal. Ou seja, a dose máxima tolerada é aquela em que uma alta dose de uma substância química é administrada a um grupo de indivíduos sem provocar a morte, pelo menos não em curto prazo.
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