Opinião

A triste realidade dos carneiros

Carneiros podem resolver quebra-cabeças, gostam de brincar e partilham das mesmas emoções que os seres humanos (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Ao longo de um dia, a fotojornalista canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals, testemunhou um leilão de animais na Austrália, onde foram vendidos 32 mil carneiros.

A maior parte deles já tinha destino definido – a indústria da carne, inclusive brasileira, onde a oferta nacional é menor que a demanda.

Não devemos desconsiderar também que a lã como subproduto torna o negócio ainda mais vantajoso para quem compra esses animais.

Segundo Jo-Anne, nos leilões de carneiros, o barulho nunca cessa. Seres humanos gritam pelos melhores preços, cães condicionados perseguem e coagem os carneiros, e os caminhões de transporte vêm e vão.

Como consequência, os carneiros ficam extremamente estressados e assustados, e alguns quebram suas pernas e pescoços na tentativa de fuga.

“Muito além do estereótipo de animais estúpidos, a verdade é que os carneiros são animais com estruturas sociais altamente desenvolvidas”, explica Jo-Anne.

Eles são capazes de identificar uns aos outros. Também têm facilidade em reconhecer seres humanos, mesmo que não tenham visto o mesmo rosto por até dois anos.

Carneiros podem resolver quebra-cabeças, gostam de brincar e partilham das mesmas emoções que os seres humanos, incluindo tristeza, alegria, desgosto, tédio e raiva.

De acordo com a fotojornalista, que viaja o mundo registrando a realidade dos animais criados para consumo, carneiros são muito amigáveis e, quando recebem uma nova companhia, gostam de trocar carícias.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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