Categorias: Opinião

Além de cruéis, testes com animais são contraditórios

A USP e a Fiocruz estão testando uma vacina de DNA contra o zika vírus. Há uma afirmação, segundo a Fapesp, de que os “testes com camundongos já apresentaram bons resultados”, após tais animais serem infectados em laboratório com o vírus.

É sempre interessante avaliar a contradição do uso de animais em experimentos. É a prova da conveniência de que há uma afirmação de que os animais são semelhantes a nós quando a exploração deles depende da semelhança, mas diferentes de nós quando a exploração depende da diferença.

Tudo gira em torno de um espectro em constante paradoxo. Isso também mostra que não há uma proporcional preocupação sobre o que é verdadeiro ou não sobre esses animais, mas sim sobre o que pode ser promovido como verdade quando corresponde ao interesse humano.

Se dizemos que está tudo bem em explorar determinados animais porque eles têm características em comum conosco, por outro lado, são ignoradas as características que eles têm em comum conosco que antagonizam essa mesma exploração.

E se levado em conta o que é mais relevante para esses animais, já que são as vítimas dessa realidade, porque um interesse pode ser considerado importante e não outro, e sendo a prevalência de um interesse o esmagamento de outro?

Não que um animal deva ter semelhanças conosco para não ser explorado, mas nisso refiro-me primeiro ao interesse básico em não passar por privação, não sofrer e não ser morto, o que compartilhamos com tantos outros animais. É uma extrema presunção a desconsideração da importância da vida de um animal para ele próprio.

Podemos nos referir à vida não humana como pouco valiosa, mas a nossa percepção não é a do animal sobre a própria vida. Ele não precisa racionalizá-la dessa forma, mas somente trazer em si, e como é comum por ser parte de sua inerência, a expressão de que deseja evitar o que é ruim.

Uma conclusão óbvia é que não é permitido que o interesse do animal, e sobre o que afeta esse animal, possa prevalecer sobre o interesse humano. Mesmo quando é possível não usar animais, ainda insiste-se em usá-los, pela conveniência de que partindo deles não pode prevalecer uma forma transformadora de resistência.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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