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Amazônia abriga mais da metade das espécies terrestres de animais e plantas

Amazônia é lar de três milhões de espécies (Foto: Getty)

A Amazônia abriga a maior área de floresta tropical remanescente em nosso planeta. Com quase o dobro do tamanho da Índia, essas florestas desempenham um papel vital na regulação do clima global e na prestação de outros serviços, como a purificação da água e a absorção de carbono.

Além de três milhões de espécies, mais de 33 milhões de pessoas vivem na Amazônia e cerca de 420 comunidades indígenas dependem diretamente de seus recursos para cobrir suas necessidades de água e alimentos, bem como para sua subsistência. Esses meios e estilos de vida estão intrinsecamente relacionados à preservação das florestas e à conservação de sua biodiversidade. A Amazônia abriga mais da metade das espécies terrestres de animais, plantas e insetos, segundo informações da ONU Meio Ambiente.

Há séculos a Amazônia se tornou lar de milhões de pessoas que construíram suas comunidades na natureza. Eles desenvolveram métodos para cultivar e viver em harmonia com a terra. A mudança climática ameaça não apenas os recursos naturais da Amazônia, mas também as vidas e meios de subsistência das pessoas que consideram sua terra natal.

Jorge Job Trigoso é um membro da comunidade de Villa Florida, uma das dez comunidades e aproximadamente 306 famílias que trabalham na gestão da castanha-do-brasil na Reserva Nacional de Vida Selvagem de Manuripi, na Bolívia. A poucos quilômetros de distância, Omar Masx mora na comunidade de Curichón e também se beneficiou da produção sustentável de açaí e castanha do Brasil. Ambos têm uma qualidade em comum: são os guardiões da floresta.

“Aqui não cortamos as plantas, essa é uma área protegida onde não devemos cortar árvores ou lenha, entendemos onde vivemos”, diz Trigoso, apontando as extensas florestas que cercam sua casa.

Na fronteira da Bolívia, Brasil e Peru, a reserva de Manuripi cobre 747 mil hectares e é uma das áreas com maior diversidade de vida selvagem na Bolívia. Também possui os rios Madre de Dios e Manuripi, dois dos mais importantes da bacia amazônica.

As áreas protegidas, como Manuripi, são consideradas uma das melhores maneiras de conservar a biodiversidade e ajudar a lidar com a mudança climática naturalmente, à medida que as florestas reduzem os gases de efeito estufa. As áreas protegidas preservam os ecossistemas, mantendo os valores culturais de seus habitantes e promovendo suas formas tradicionais de manejo dos recursos naturais.

“Nós somos os que devem cuidar da floresta. Por exemplo, costumávamos cortar o açaí para obter seus frutos. Nós não fazemos mais isso, nós escalamos a árvore para coletá-los. Precisamos cuidar das árvores porque vivemos delas”, diz Omar.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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