Categorias: Opinião

Por que animais mortos para consumo não são pensados como jovens?

Se animais morrem tão cedo, eles morreriam mais cedo ainda se possível fosse obter deles o que se deseja

Foto: AE

Animais utilizados para consumo normalmente são mortos bem jovens, mas não são pensados dessa forma, como jovens, porque a instrumentalização desses animais normaliza até a impercepção que não leva a uma consideração sobre em que estágio da vida está um animal.

Isso ocorre porque o animal é avaliado como em “idade produtiva” ou em “idade terminativa”, ou seja, de uma forma diferente em relação a quem não é criado para ser explorado e/ou morto, o que também revela uma invisibilização.

Não se vê a idade do animal, mas a sua capacidade para determinada finalidade. Não por acaso, se animais morrem tão cedo, eles morreriam mais cedo ainda se possível fosse obter deles o que se deseja, reduzindo gastos com cada animal e ampliando a disponibilidade decorrente dessa violência.

Mas isso já ocorre. Basta olharmos para a diferença com que animais são mortos hoje em comparação com décadas anteriores, e nada disso é visto com estranheza, e porque corresponde às demandas de consumo.

Então por que quem deseja consumir o que é proveniente desse sistema o reprovaria se é o seu próprio consumo que favorece essa aceleração? Reconhecer isso teria validade prática se resultasse em uma mudança.

Há milhões de animais nascendo hoje e que serão mortos no mês que vem para fins de consumo. Também há animais nascendo hoje que serão mortos nos meses subsequentes. O cordeiro, por exemplo, que é um animal sobre o qual pouco se fala, tem vivido 50% menos do que 15, 20 anos atrás.

Não que a idade deva ser justificativa para determinar quem não deve ser explorado ou quando deve ser morto, mas é perceptível que o que é normalizado pelo especismo torna comum a aceitação em não pensar na estranheza da “idade útil” para o viver e para o morrer. A idade é algo que não se considera sobre quem se consome.

A maior parte dos consumidores não sabe dizer com que idade um animal é morto ou “descartado”, e porque a crença é de que não é algo que deva ser considerado, e sim que tipo de experiência pode ser proporcionada a partir de um produto decorrente da exploração e/ou morte desse animal.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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