A onça-pintada é o maior felino das Américas, bem como um dos mais icônicos do continente. Mas a caça, a perda do habitat e outras ameaças deixaram a espécie em perigo de extinção na Argentina.
Com a perda de 95% de sua distribuição original, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), estimativas indicam que existem apenas cerca de 200 espécimes no país. Eles estão espalhados principalmente por extensões isoladas de selva na província de Missiones e nas florestas de encostas montanhosas, nas províncias de Salta e Jujuy.
No entanto, um programa pioneiro de conservação e reintrodução da onça-pintada foi iniciado em 2011. A equipe na Argentina — que inclui cientistas, veterinários, atores comunitários e gestores de políticas — tem colaborado com a meta de criar uma geração de onças que poderia ser solta em seu habitat e sobreviver de forma independente na natureza.
O programa surgiu da preocupação com o fato de que a vida silvestre no mundo entrou em colapso nos últimos cem anos, conforme a população humana e a atividade econômica — especialmente a agricultura comercial — se proliferam.
Mas existe agora uma crescente constatação de que a sobrevivência no planeta exige áreas protegidas bem gerenciadas, onde a flora e a fauna possam florescer. Afinal, a natureza fornece um leque de serviços ecossistêmicos que, em muitas partes do mundo, está sendo rapidamente degradado pela exploração humana dos habitats naturais.
Por isso, em dezembro de 2018, o Congresso da Argentina aprovou uma legislação que determinou a criação do Parque Nacional Iberá, com quase 160 mil hectares, a fim de garantir a proteção das onças-pintadas em longo prazo. Douglas e Kristine Tompkins, empreendedores dos Estados Unidos, compraram a terra por meio de duas fundações, a Conservation Land Trust e a Flora y Fauna Argentina.
Posteriormente, eles doaram a propriedade para que a área se tornasse o maior parque da Argentina, centrado em uma das maiores zonas úmidas de água doce de toda a América do Sul.
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