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Artista cria série em que animais se vingam por serem explorados

Com base em inúmeros cenários comuns de exploração com fins de consumo, a artista italiana Monica Garone, de Turim, decidiu recriá-los com um viés bem pessoal, e substituindo os animais por humanos.

A intenção é bem clara. Afinal, uma imagem que pode passar despercebida por não envolver humanos recebe um outro olhar das pessoas quando as vítimas são humanas.

Animais criados e subjugados para produção de carne e de leite, explorados em testes em laboratórios, em zoológicos, ou com qualquer outra finalidade em que consideramos apenas os nossos benefícios, são colocados no papel de humanos nas obras de Monica Garone, que também expressa um tipo sardônico de vingança que incita reflexão.

Talvez a mais importante conclusão seja:

“Essa seria a nossa realidade se fôssemos dominados por uma espécie considerada superior da mesma maneira que subjugamos animais de outras espécies.”

Com características de cartunismo e de um tipo de arte do absurdo, as obras da italiana são carregadas de expressões e cores fortes. O vermelho, principalmente, em alusão ao sangue e à morte, explicita ainda mais a violência e a indiferença legitimadas pelas nossas relações de consumo.

O olhar de satisfação de quem está no controle é contraposto pelo desespero de quem se vê em uma situação em que seus interesses são ignorados.

E assim como ocorre com os animais no mundo real, os humanos de Monica Garone são incapazes de evitar o próprio destino sem que haja uma reconsideração de valores por parte de quem os domina. Afinal, são criaturas em estado de vulnerabilidade.

Sem dúvida, tantos animais explorados e mortos pela humanidade diariamente expressam, no mínimo, e em maioria, o mesmo terror anômalo dos humanos em situação inversa na arte da italiana.

E mesmo que não manifestassem, isso não diminuiria o impacto de nossas ações. Afinal, exploração e morte não deixam de ser exploração e morte independente de como as vítimas reagem com base na própria e iminente percepção de uma específica realidade.

Há muitos casos em que a empatia humana depende desse exercício, que não é comum a todos, de imaginar-se no lugar da vítima, em uma situação de exploração, violência e morte. Que tal experimentarmos?

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David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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  • Bem criativa, a artista, claramente contrária à exploração dos animais pela espécie humana arbitrária e cruel. No entanto prefiro me reportar aos animais, valorizando sua natureza pura e simples, isentos das maliciosas e maquiavélicas intenções humanas, neles enxergando os seres superiores que ainda não somos e vamos demorar para ser.

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