Com obras ambientadas na nossa própria mente, em uma referência ao poder da condição humana, e explorando nossa percepção sobre os animais, a artista francesa Pascale Salmon convida o espectador a considerar se estamos fazendo o que podemos para não causar mal a seres sencientes de outras espécies.
Será que nossas escolhas são tão prazerosas para os animais quanto para nós? Este parece ser o eixo questionador da arte de Pascale, que constrói diferentes contextos dentro do ideário cultural humano para transmitir questões bastante pertinentes – como a legitimidade da exploração animal com fins de consumo; e baseada na privação, subjugação, sofrimento e morte de criaturas de outras espécies, alvos de nossos anseios por carnes, ovos, laticínios e outros produtos de origem animal.
Partindo de uma mente, o reconhecimento de que um animal deve gozar de liberdade e da não violência encontra resistência em outra que não vê problema na continuidade da matança que ampara nossos hábitos de consumo. Mas isso deveria ser aceitável? Continuar a ser normalizado? Ou deveríamos mudar? A artista aposta nesta última.
O especismo também é evidenciado pela construção de duas mentes, que podem ser até a mesma. Na primeira, criada às luzes de um ambiente bucólico, há o entendimento de que animais como cães e gatos merecem a distinção de reconhecimento como criaturas que merecem o nosso respeito, carinho e companheirismo.
Na segunda, imersa no vermelho como referencial do sangue e da barbárie, nossos hábitos onívoros reforçam uma constatação de inferno terreno para os animais, já que diversas espécies domésticas, incluindo suínos e galináceos, levam uma vida miserável e em confinamento para privilegiar os interesses do nosso paladar.
Ao defender que animais não são produtos, a vegana Pascale Salmon também aborda um caráter de unidade da vida, transmitindo sua concepção de que todos estamos conectados, já que compartilhamos o mesmo planeta. No entanto, ao negligenciar as implicações de nossas ações para os outros, como quando nos alimentamos de animais, e fazemos isso privilegiando somente nossos interesses, somos negligentes com as consequências anteriores e ulteriores envolvendo os animais, nós mesmos e o mundo.
Algumas de suas obras evocam uma necessidade de sinergia. “Quem não sonha com um mundo mais justo, onde todos os seres possam viver juntos e em harmonia?”, diz Pascale e acrescenta que seu trabalho é um convite para pensar e mudar nossa visão sobre todos os animais que são explorados e mortos.
“Todo ser vivo merece viver em paz e em liberdade. É uma questão de justiça e evolução. É hora de conscientizar, adotar uma responsável atitude antiespecista e seguir o caminho do veganismo, por um mundo melhor!”, sugere.
Acompanhe o trabalho de Pascale Salmon:
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