Notícias

Beatrice, a galinha que se livrou da granja

“Ela terá uma vida maravilhosa no campo” (Foto: SPCA Montreal)

Em outubro, funcionários da Sociedade para a Prevenção da Crueldade Contra os Animais de Montreal, no Canadá, encontraram uma galinha poedeira desidratada, debilitada, suja e com excrementos grudados nas penas.

Ela estava entre as pilhas de caixas de ovos entregues em uma mercearia local. Ninguém foi capaz de esclarecer como ela foi parar lá, mas independente do que houve, Beatrice ganhou a chance de não retornar mais para a granja, onde a expectativa de vida de animais como ela não ultrapassa os dois anos. Afinal, são enviados ao abate quando cai a produção de ovos.

Recentemente, Beatrice retornou para o campo, mas não mais para o aviário, onde uma condição de vida estressante aguarda a maior parte das galinhas submetidas ao sistema de produção de ovos. “Ela terá uma vida maravilhosa no campo”, garante a diretora executiva da SPCA Montreal, Élise Desaulniers, em referência a um santuário de animais em Quebec que agora é o lar de Beatrice.

Você conhece a realidade das galinhas poedeiras?

Uma galinha selvagem bota 10 a 15 ovos por ano, mas podendo chegar a 30, e apenas no período natural de reprodução. Porém, as galinhas domesticadas, que produzem os ovos mais consumidos em todo o mundo, foram manipuladas geneticamente para botarem até 350 ovos por ano.

A produção de ovos é extremamente exaustiva, porque o ovo requer muitos nutrientes, especialmente o cálcio que é um importante nutriente da casca. Para cada casca de ovo produzida, uma quantidade considerável de cálcio é drenada do corpo de uma galinha.

Por isso, as galinhas poedeiras têm predisposição a sofrer de osteoporose, sendo assim, têm ossos bem frágeis se comparados aos das galinhas selvagens. Há casos em que a deficiência é tão grande que elas sofrem de quebra de ossos mesmo sem fazer esforço.

Práticas pouco conhecidas pelos consumidores

Além do uso de luz artificial nas granjas, como forma de condicionar as galinhas a botarem ovos fora do seu ciclo natural, há também relatos de prática reprovável testemunhada em algumas granjas – deixar as galinhas sem comida por semanas, só à base de água.

Aparentemente, isso causa um choque no organismo da galinha e a estimula a botar mais ovos caso a produção tenha caído ou estagnado. Dizem que tal prática pode ser aplicada por até três vezes antes da galinha ser enviada para um matadouro.

Outro ponto de reflexão é que galinhas poedeiras exploradas em níveis industriais não raramente sofrem de prolapso uterino, câncer de ovário, peritonite, esteatose (síndrome do fígado gorduroso) e fadiga crônica.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • Perfeito realmente funciona assim os humanos são ignorantes a ponto de não enxergarem o mal q fazem aos animais

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago