“Na granja, deixavam as galinhas 45 dias sem comer nada, só à base de água”

José Roberto Paranhos: "Era uma tremenda sacanagem que até hoje me deixa indignado com tamanha crueldade”

“Me cortava o coração ver as galinhas desesperadas de tanta fome. Nesse intervalo de 45 dias, pelo menos 25% das aves não resistia e morria” (Foto: Reprodução)

O comerciante José Roberto Paranhos, de Paranavaí (PR), trabalhou durante anos em uma já extinta granja no Noroeste do Paraná. Ele conta que chegava às 6h para “tratar das galinhas”, coletar ovos e preparar ração. Não havia feriado ou domingo. O retorno era um salário mínimo, uma bandeja de ovos e uma galinha por semana.

“Doavam algumas galinhas que já não produziam ovos para instituições filantrópicas, como asilos, ou vendiam barato para pessoas de baixa renda”, relata. Mais tarde, a família que era proprietária da granja decidiu arrendá-la.

Então o novo proprietário colocou em prática uma estratégia até então desconhecida por Paranhos. “Como havia lotes de galinhas de baixa produtividade, porque elas já não eram tão jovens, na granja, deixavam as galinhas 45 dias sem comer nada, só à base de água. Era uma tremenda sacanagem que até hoje me deixa indignado com tamanha crueldade”, comenta.

A “estratégia”, que José Roberto descobriu que era muito comum nesse meio, causa um choque no organismo da galinha e a estimula a botar mais ovos caso a produção tenha caído ou estagnado. A prática poderia ser aplicada por até três vezes antes da galinha ser enviada ao matadouro.

“Me cortava o coração ver as galinhas desesperadas de tanta fome. Nesse intervalo de 45 dias, pelo menos 25% das aves não resistia e morria. O restante perdia todas as penas e só depois de 45 dias as penas começavam a reaparecer. E elas eram colocadas para botar [ovos] com as frangas. Esse é o retrato de um capitalismo selvagem. Será que vale a pena uma crueldade dessa?”, critica José Roberto Paranhos.

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