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Bovinos são mortos após fugirem de matadouro

Imagem: KCTV

Há pouca consideração sobre o interesse dos animais em não morrer, e até mesmo quando conseguem escapar de um matadouro. Afinal, são classificados como produtos, meios para um fim, ainda que manifestem vontade de viver.

Um exemplo foi o que aconteceu há alguns dias em Blue Springs, no estado do Missouri, nos EUA, mas que poderia ser em qualquer lugar do mundo onde animais são vistos como fontes de carnes e outros produtos.

Três novilhos fugiram de um matadouro da Valley Oaks e atravessaram áreas comerciais e residenciais – dois foram mortos nas ruas, sob justificativa de garantia de segurança dos próprios agentes policiais envolvidos na ação, dos residentes e de coibir prejuízos materiais em propriedades. O único novilho que foi capturado acabou sendo reenviado para o matadouro.

Ou seja, os dois que morreram na rua resistiram à captura o máximo que puderam, e o terceiro, já demonstrando cansaço, tornou-se alvo menos difícil. Não há como ignorar que esse tipo de fuga é consequência de hábitos de consumo.

As pessoas querem comer carne e os animais não querem morrer. Então há aqueles que conseguem fugir, e assim surge uma situação em que os animais que escapam do matadouro são classificados como ameaça à segurança e integridade física das pessoas da comunidade.

Mas por que não ponderar que a ameaça que motiva tudo isso começa pelo paladar? Com a insegurança e produtificação da integridade física dos animais. Em síntese, pelo interesse em comer a carne de quem não escolheu morrer.

“Achamos que estava tudo sob controle e aguardamos apoio para tranquilizá-lo, mas ele atacou um dos agentes. Um dos bois estava se aproximando da I-70 e não podíamos permitir isso”, alegou o chefe de polícia Bob Muenz à KCTV.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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