Categorias: Notícias

Brasil atinge recorde em matança de suínos

Foto: Aitor Garmendia

O Brasil atingiu um recorde em matança de suínos no segundo trimestre de 2022 ao abater 14,07 milhões de porcos. Isso significa 4,69 milhões por mês.

Segundo informações obtidas junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio de um levantamento concluído em setembro, é o maior número de suínos mortos nesse período desde o início da série histórica em 1997.

Isso significa um aumento de 7,2% em relação a 2021 e de 3% em comparação com o primeiro trimestre deste ano.

Santa Catarina é responsável por 28,4% do abate de porcos no Brasil. Na sequência estão Paraná, com 20,9%, e Rio Grande do Sul, com 17,1%. São Paulo está em quarto lugar.

Além do abate de suínos ter crescido nesses quatro estados, aumentou também em Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.

No ranking de países que mais matam suínos, o Brasil está em terceiro lugar, perdendo somente para a China e os Estados Unidos.

Do total, 80% dos porcos abatidos no Brasil são destinados ao consumo interno, ou seja, têm suas carnes comercializadas em açougues e supermercados do país, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Para garantir um número elevado de abates, o Brasil também tem enviado para o matadouro muitos suínos com menos de seis meses de idade.

Ou seja, idade já não é prioridade, e sim fazer o animal atingir pelo menos o peso mínimo de 90 quilos para abatê-lo – o que é motivado pela alta demanda por carne de porco.

Este ano a organização Proteção Animal Mundial lançou o documentário “Bactérias Multirresistentes: Uma Ameaça Invisível”, dirigido por Gabriel Iorio e Denis Bertoncello, que está disponível no YouTube e aborda a partir do Paraná as consequências da produção de carne suína.

De acordo com o filme, as bactérias multirresistentes que estão surgindo no contexto da pecuária a partir do uso excessivo de antibióticos, para atender a demanda dos consumidores por proteína animal, são uma ameaça silenciosa que está afetando a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente.

Vale lembrar que está tramitando na Câmara o PL 4195/2012, do deputado Afonso Hamm (PP-RS), reeleito este mês. Ele argumenta que a intenção é “propiciar melhor qualidade de vida aos estudantes e oferecer aos produtores garantia de escoamento da produção”.

Saiba Mais

É importante considerar que esses números não incluem animais mortos fora de matadouros comerciais ou ilegais.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

5 dias ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

1 mês ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

2 meses ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

2 meses ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago