October 2nd, 2018. Flight from Porto Velho to Rio Branco (Brazil). Latitude: S9°38.700' Longitude: W67°46.949'
Entre agosto de 2019 e abril de 2020 o desmatamento na Amazônia totalizou 5.666 km² – quase o mesmo que a soma da extensão desmatada em 2018 e 2019 no mesmo período, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter-B), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em termos percentuais, o desmatamento acumulado de agosto de 2019 a abril de 2020 já mostra um crescimento de 94% em relação ao mesmo período no ano anterior.
Considerado isoladamente, o desmatamento no mês de abril é igualmente assustador: aumento de 64% em relação ao mesmo mês de 2019. Apenas no mês passado foram emitidos alertas de desmatamento para 405,6 km²; em 2019 esse número foi de 247,7 km².
Os dados alarmantes de abril dão sequência ao recorde histórico batido no primeiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período dos últimos dez anos. Apenas na comparação com o mesmo período de 2019, o crescimento foi de impressionantes 51,45%.
Os alertas do último mês indicam registros de desmatamento em áreas protegidas por lei, como os parques nacionais Mapinguari, Campos Amazônicos, Juruena e Acari e foram concentrados na região da BR-163 (Pará) e noroeste de Rondônia.
“Há uma inegável trajetória de aumento no desmatamento novamente em 2020, com ritmo ainda mais acelerado do que 2019. A nova taxa oficial dos dados do sistema Prodes deverá ultrapassar, e muito, os 10 mil km² observados no ano passado”, analisa Mauricio Voivodic, diretor executivo do Fundo Mundial Para a Natureza no Brasil (WWF-Brasil).
“Ao contrário dos dados de 2019, que consideravam um período ainda sob a gestão do presidente Temer, o novo e impressionante recorde que se avizinha é de exclusiva responsabilidade do governo Bolsonaro”, destaca.
“É esse cenário que a MP 910 agrava: ao legalizar terras griladas, ou seja, desmatadas em anos anteriores, o governo dá um claro sinal de leniência para os atuais desmatadores. Se aprovada, a MP 910 será o grande motor por trás de futuros recordes de desmatamento”, alerta Voivodic.
Em dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou a Medida Provisória 910. Ela é chamada informalmente de “MP da grilagem” porque facilita a regularização de terras públicas por desmatadores e ocupantes ilegais, além de beneficiar os proprietários de grandes áreas em detrimento dos povos indígenas e tradicionais.
Se aprovada pode provocar graves impactos ambientais, econômicos e sociais em todo o país, mas principalmente na Amazônia porque é lá onde se concentra a maior parte de terras da União, e no Cerrado, bioma mais desmatado em 2019.
Porque a MP não muda nada na situação dos milhares de pequenos produtores na Amazônia e Cerrado. Se aprovada, ela vai permitir que pessoas que ocuparam ilegalmente grandes áreas (propriedades de até 2.500 hectares – tamanho da ilha de Fernando de Noronha) possam se transformar em proprietários sem licitação e pagando preços irrisórios (10% do valor de mercado – ou seja, recebendo um desconto de 90% do governo).
Isso geraria perdas econômicas de R$88 bilhões, segundo estimativa do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Além disso, a MP beneficia os criminosos reincidentes porque permite que aqueles que já possuem títulos de propriedade de áreas invadidas possam legalizar novamente uma terra pública ocupada ilegalmente.
Contra a MP 910, a WWF-Brasil criou uma petição. Caso queira contribuir – clique aqui.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…