Não é novidade que cresce a cada ano a aceitação global de alternativas ao leite, tanto por parte de uma indústria que mira o futuro quanto dos consumidores em busca de opções à base de vegetais – nisso há uma sinergia.
A realidade mostra hoje que se as empresas alimentícias não querem perder oportunidades, elas devem se adaptar a essa tendência. Afinal, a previsão é de que até 2026 as alternativas ao leite sejam responsáveis por movimentar o equivalente a mais de R$ 204 bilhões no mundo todo, conforme estimativa da empresa de análise global de mercado Renub.
Por outro lado, o mercado de laticínios, que hoje não encontra tanto espaço para expansão e vem amargando perdas principalmente na América do Norte e em algumas regiões da Europa, não tem condições de alcançar o desempenho e aceitação popular de outros tempos, quando a população realmente acreditava que o leite de vaca era um alimento essencial na dieta humana.
Já reconhecendo mudança de hábitos de consumo, grandes indústrias, inclusive do ramo leiteiro, têm investido cada vez mais em alternativas não lácteas na tentativa de não perder um espaço consolidado ao longo de décadas; e se isso é uma preocupação para essas empresas, deixa claro que estamos diante de uma mudança comportamental por parte de consumidores que podem ter como motivação a saúde, meio ambiente e/ou bem-estar animal.
Outro ponto de consideração é que hoje, mais do que nunca, há discussões sobre a retirada do leite das diretrizes nutricionais governamentais de vários países, incluindo Estados Unidos e Canadá, conforme o produto deixa de ser considerado essencial ou tão benéfico à saúde. No entanto, tal mudança ainda não tem ocorrido por lobby da indústria leiteira.
Não é novidade que Estados Unidos, Canadá, Austrália, Inglaterra, Alemanha e alguns outros países europeus levam vantagem em relação à aceitação das alternativas ao leite se compararmos com nações em desenvolvimento como o Brasil.
O motivo? Custo das alternativas aos laticínios e poder de compra. Hoje esses produtos realmente têm mais aceitação. Porém, esbarram em preço e acesso – já que suas versões industrializadas podem custar até o dobro no caso do leite de soja, por exemplo, que ainda é a opção mais acessível das alternativas vegetais.
Ou podem custar muito mais do que isso – chegando a ser quatro, cinco e seis vezes mais caro – caso do leite de coco ou de amêndoas – este costuma ter o custo mais elevado do mercado brasileiro hoje.
Mas é claro que se as opções estão cada vez mais disponíveis nos supermercados, e com mais marcas, significa que há um crescente público consumidor. Porém, se o objetivo é desbancar a indústria de laticínios, não se restringindo principalmente as classes A e B, ainda há um importante caminho a ser percorrido – de barateamento dos custos de produção, o que depende também de menor volatilidade na oferta de matérias-primas buscando melhor precificação.
O que também pode estimular esse consumo é o enriquecimento proteico das alternativas vegetais. Até porque quem busca substituir o leite de vaca por uma versão vegetal, por exemplo, pode querer uma bebida com uma boa quantidade de proteínas – não apenas algo que seja agradável em relação à textura e sabor.
Hoje, o mercado, com exceção do leite de soja, oferece produtos ricos apenas em carboidratos e, dependendo da matéria-prima, em lipídios, mas não em proteínas. Isso poderia atrair a atenção de quem consome leite frisando que sua prioridade são as “proteínas” – e pode acreditar que não são poucos que levam esse fator em consideração na hora das compras – já que o leite tanto quanto a carne se tornaram “símbolos de proteínas” há muito tempo no ideário popular.
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