Cattle in a ranching area, next to a recently deforested and burnt area, in Candeias do Jamari, Rondônia state. The Amazon is still covered in smoke and torn by criminal and unrestrained destruction, according to overflights produced by the Amazon in Flames Alliance, organized by Amazon Watch, Greenpeace Brazil and the Brazilian Climate Observatory. The expedition took place between September 13th and 17th, in the cities of Porto Velho (Rondônia state) and Lábrea (southern Amazonas state). Gado em pastagem, ao lado de área desmatada e recém queimada, em Candeias do Jamari, Rondônia. A Amazônia segue encoberta pela fumaça e marcada pela devastação criminosa e sem controle. Foi o que comprovaram sobrevoos realizados pela Aliança Amazônia em Chamas, formada pelas organizações Amazon Watch, Greenpeace Brasil e Observatório do Clima. A expedição ocorreu entre os dias 13 e 17 de setembro, nos municípios de Porto Velho, Rondônia, e Lábrea, sul do Amazonas.
O rebanho bovino no Brasil chegou a 224,6 milhões, segundo dados de setembro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a população humana no país é de 215 milhões. Ou seja, além do Brasil ter mais bovinos do que humanos, houve um aumento do número desses animais criados para consumo em comparação com 2021 – de 218,2 milhões para 224,6 milhões.
O desmatamento também cresceu no país em que um boi ocupa, em média, um hectare, sendo considerada a maior devastação registrada em 15 anos, desde que o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) implantou o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) para a Amazônia Legal. Foram mais de nove mil quilômetros desmatados de floresta amazônica só de janeiro a setembro.
Ou seja, quanto mais a agropecuária se expande, maior é o seu impacto. Em um país onde mais de 33 milhões de pessoas estão passando fome, segundo levantamento da Oxfam, há 6,8 vezes esse número em quantidade de bovinos alimentados para consumo humano.
Hoje, São Félix do Xingu, no Pará, lidera a criação de gado no país com mais de 2,5 milhões de bovinos, e é campeã nacional em emissões de carbono, com mais de 29,7 milhões de toneladas brutas de CO2e, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.
Em emissões de carbono equivalente, a cidade paraense, que também tem sido citada como “a capital do desmatamento da Amazônia”, supera países como Uruguai, Noruega, Chile e Croácia. Além disso, pouco se fala no impacto sobre a biodiversidade e perda de habitat da vida silvestre.
Também é o Pará que lidera as exportações de gado vivo no Brasil, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg). Ou seja, muitos animais vendidos para suportarem longas jornadas e serem abatidos e consumidos em outros países são criados no estado que mais derruba floresta entre os estados da Amazônia.
O Pará perdeu quatro mil quilômetros quadrados em 12 meses, conforme dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon. Isso significa que em busca do lucro em outros países o impacto é deixado com a população e com a vida silvestre.
A Plataforma Geográfica Interativa do IBGE apontou em 2020 que em 18 anos o Brasil perdeu 7,6% de vegetação florestal. Em 2021, a WWF-Brasil divulgou que 80% das áreas desmatadas no país são convertidas em pastagens.
Vale lembrar também que outro levantamento do IBGE revelou que o Brasil tem mais de 350 milhões de hectares sendo usados para atividades agropecuárias, que ocupam a maior parte das terras agricultáveis do país.
Do total de 350 milhões, 200 milhões são apenas de pastagens, e um grande percentual dessas áreas já sofre as consequências da degradação associada ao mau uso da terra.
Será que a população deve continuar financiando a agropecuária?
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