Notícias

Brasileiros consomem gelatina de pele de porco há mais de 20 anos

O que favorece a dissociação entre a origem do colágeno baseado em matéria-prima animal são os processos de tratamento (Fotos: Getty/PETA)

Introduzida no Brasil em 1998, a gelatina à base de pele de porco chegou ao país como uma novidade na década de 1990, quando foi apresentada na Food ingredients South America (FiSA), considerado o maior evento de ingredientes alimentícios da América Latina.

Até então, a produção de gelatina nacional era baseada no colágeno extraído da pele, ossos e tendões de bovinos, e classificado como tipo B, não apenas pelo tipo de matéria-prima, mas também pela textura e características de gelificação, segundo a Leiner Davis Gelatin, a primeira fabricante de gelatina de origem suína do Brasil.

Antes utilizado principalmente no desenvolvimento de sobremesas de gelatina, margarinas, queijos, suspiros e merengues, o colágeno baseado em peles e ossos bovinos, recolhidos em grande quantidade nos frigoríficos, passou a concorrer com o colágeno extraído dos suínos.

O novo produto passou a ser usado amplamente também na preparação de balas, caramelos, marshmallows, iogurtes, pudins, mousses, embutidos e produtos farmacêuticos.

Empresas não têm obrigação de discriminar origem do colágeno

No entanto, como a legislação brasileira não prevê a obrigatoriedade de discriminação da origem do colágeno nos rótulos dos produtos, até hoje o consumidor brasileiro não tem como saber qual é a procedência, qual animal deu origem ao colágeno que ele consome de forma involuntária ou não no cotidiano.

A disponibilidade de colágeno é considerada “abundante”, já que o Brasil mata por ano mais de 40 milhões de suínos. E no processo industrial, o que favorece a dissociação entre a origem do colágeno baseado em matéria-prima animal são os processos de tratamento com ácido, remoção de resíduos, esterilização, secagem e moagem – além da inclusão de corantes e aromatizantes nos produtos industrializados.

Hoje, as empresas que se preocupam em destacar a origem do colágeno utilizado com as mais diversas finalidades são aquelas que o produzem a partir de fontes vegetais, até porque se voltam para um grupo de consumidores que cobra esse tipo de informação.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • CHEGAMOS A UM CONTEXO DE ILUSÃO E MENTIRAS EM TODOS OS PATAMARES DA VIDA ATUAL QUE NOS TORNAMOS VERDADEIROS NÚMEROS NAS CONTAS DE ALGUNS, E SÓ ! É HORA DE TOMARMOS CONSCIENCIA DO QUE QUEREMOS ( COMER PR EXEMPLO) OU NÃO ////!

  • Todos os alimentos deveriam constar sua origem de procedência e ingredientes utilizados, já que, muitas pessoas estão contraindo alérgias de diversos produtos alimentícios.
    A Bíblia é clara em relação aos alimentos saudavéis.

  • A comida industrializada há muito deixou de ter o papel de assegurar a oferta de alimentos em épocas e lugares de difícil obtenção e conservação. Hoje ela serve apenas para gerar lucro para as grandes corporações das grandes marcas.

  • E as pessoas ainda se sentem enganadas pela indústria... acham mesmo que a maioria delas pensa na saúde das pessoas?
    Melhor assumirmos nossa responsabilidade né?
    Melhor meamo seria comer o mais natural possível.

  • Gente ! Se a pessoa tem restrições alimentares, pq comer alimentos industrializados ? Comam arroz, feijão, verduras, frutas e leguminosas. Do jeito que o mundo está vai chegar o dia que um porquinho se tornará o filé da hora, se sobrar algum neh !?

  • Creio que nem mais plantando o próprio alimento, não é tão seguro como pensamos! Até o solo está contaminado. Estamos todos ferrados!

  • Dizem que a carne de porco ė a mesma carne humana, pois foi genericamente modificado e misturado com a carne do javali selvagem, criando o porco que conhecemos hoje, isso procede??

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 semanas ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

3 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

4 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

2 meses ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago