Filosofia

Em 1843, Bronson Alcott alertou sobre impacto negativo da pecuária

Alcott se tornou vegetariano estrito em 1835 e possivelmente por influência do filósofo grego Pitágoras (Acervo: Alcott Net)

“Calcula-se que, se nenhum alimento de origem animal fosse consumido, um quarto da terra agora usada seria suficiente para o sustento humano. E os vastos caminhos agora apropriados pelas pastagens, ceifas e outros modos de provisão para animais poderiam ser aproveitados de forma mais inteligente e afetuosa.”

O trecho acima faz parte de uma carta escrita pelo filósofo, reformador social e pedagogo Amos Bronson Alcott em 1843, publicada na obra “The Letters of A. Bronson Alcott”, de Richard L. Hernstadt, lançada pela Editora da Universidade Estadual de Iowa em 1969.

Bronson Alcott foi um homem bastante influente em seu tempo, tanto que entre seus amigos e admiradores estavam personalidades como Herman Melville, Walt Whitman, Nathaniel Hawthorne, Henry David Thoreau, Ralph Waldo Emerson e Margaret Fuller.

Pai da escritora Louisa May Alcott, ele tornou-se vegetariano estrito em 1835 e possivelmente por influência do filósofo grego Pitágoras. Além de defender o fim da escravidão humana, também defendia o abolicionismo animal quando ainda não existia formalmente a teoria dos direitos animais. Supostamente, Bronson Alcott acreditava que não era justo lutar por uma causa e ignorar a outra.

Bronson Alcott também defendeu os direitos das mulheres, e acredita-se, segundo John Davis, que ele tornou-se “vegano” aos 42 anos em 1842: “Ele expandiu seus pontos de vista antiescravidão, incluindo animais não humanos.” Após uma viagem internacional, ele regressou aos Estados Unidos e decidiu criar uma comunidade livre da exploração animal.

Em maio de 1843, Amos Bronson Alcott fundou em Harvard, Massachusetts, a Fruitlands, uma comunidade “vegana” situada em uma área de 90 acres, o equivalente a 360 mil metros quadrados. A propriedade foi comprada em parceria com o reformador educacional inglês Charles Lane. A comunidade não durou muitos anos, mas a sua história foi preservada e o espaço ainda é aberto aos visitantes.

Clique aqui para conhecer melhor a história de Bronson Alcott.

Referências

Maurer, Donna. Amos Bronson Alcott: Idealist, Tanscendentalist, Vegetarian. Vegan Handbook. The Vegetarian Resource Group.

Davis, John. Bronson Alcott – American Pioneer Vegan. Veg Source (22 de março de 2011).

Herrnstadt, Richard L., ed.  The Letters of A. Bronson Alcott.  Ames: Iowa State University Press, 1969.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago