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Campanha pede que a população pare de se alimentar de animais

Na tentativa de conscientizar e sensibilizar as pessoas, um painel móvel está percorrendo as ruas de Dublin defendendo que ninguém precisa matar animais, ainda que de forma indireta, para se alimentar (Fotos: PETA/Andrew Skowron)

Uma campanha iniciada na Irlanda pela organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) pede que a população pare de se alimentar de animais.

Na tentativa de conscientizar e sensibilizar as pessoas, um painel móvel está percorrendo as ruas de Dublin defendendo que ninguém precisa matar animais, ainda que de forma indireta, para se alimentar.

“Feche os matadouros e as indústrias de carne: salve os trabalhadores, suas famílias e os animais”, defende a campanha iniciada depois que frigoríficos passaram a ser classificados pela mídia como um dos ambientes com mais possibilidades de se contrair a covid-19.

Segundo a PETA, a contaminação por coronavírus já atingiu 800 trabalhadores em 16 frigoríficos no país que tem quase um terço do tamanho do Paraná. Ainda assim, continuam funcionando.

“Esses locais continuam abertos, o que significa que animais continuam sendo mortos e trabalhadores continuam em risco”, critica a organização na campanha a favor do veganismo.

Brasileiros denunciam situação em frigoríficos

Brasileiros que trabalham em frigoríficos na Irlanda também têm se queixado da situação. No último dia 14, o The Guardian publicou que um deles, identificado apenas como Santos, disse que muitos de seus colegas, que continuam sujeitos à contaminação no trabalho e mal sabem inglês, não estão cientes de seus direitos. “Se essas pessoas contraírem o vírus, quem vai ajudá-los? Como eles conseguirão comida?”, questionou.

Outro funcionário identificado como Marco reclamou que não se sente seguro trabalhando em um frigorífico onde atua há mais de dez anos. O veículo também destacou que há unanimidade por parte dos entrevistados em definir o trabalho como “um negócio sangrento e com baixos salários”.

“[Você reconhece como] é horrível matar bovinos, quando você vê como isso é feito. Quando você vê as condições – é um lugar sujo e desagradável, ninguém fica feliz [com isso]”, declarou Florin, um romeno que trabalha em um matadouro na Irlanda há cinco anos.

“Eles matam – atiram, cortam o pescoço, cortam as pernas. Não gosto disso. A vaca é pacífica, emocional. E você vê o sangue, e passam de criaturas vivas para pedaços.” Os trabalhadores também se queixam que como o trabalho é repetitivo e difícil é preciso tomar analgésicos para suportar as consequências da rotina.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Oi, David! Gostaria de fazer um comentário, eu não entendi a propaganda do Empório Zuchini, de carnes, nessa página! Abraços!

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