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Cantora Jully lança “Milk” em defesa dos direitos animais

Nunca se reclamou tanto do machismo e do patriarcado. No entanto, em música, nunca se falou tão pouco sobre as consequências absurdas que o nosso sistema causa na vida das fêmeas de outras espécies. Para romper com essa barreira, a cantora e compositora Jully lança nesta sexta-feira (10), Dia Internacional dos Direitos Animais, mais uma canção do álbum “S.O.S.”, agora com o objetivo de conscientizar sobre o mal que a indústria agropecuária vem causando, principalmente, às mães e seus filhotes. De forma poética e com roupagem eletrônica, “Milk” denuncia os maus-tratos que as vacas sofrem e o quanto não sabemos o que está por trás de um copo de leite.

“O relatório da ONU IPCC – FRCCL (de 8 de agosto de 2019) reconhece a dieta vegana como a que menos emite gases de efeito estufa por ano, comparada com qualquer outra dieta. Mesmo assim, a humanidade insiste em continuar se alimentando de animais e suas secreções. Há uma violência institucionalizada contra as fêmeas de muitas espécies das quais são extraídos leite, carne, ovo, mel, peles (fur), pele (skin), couro, lã, seda, óvulos e filhotes… Filhotes esses que são mortos ou destinados a uma vida escravizada”, denuncia Jully.

Mesmo com o título em inglês, “Milk” tem metade da letra em português: “Até quando vamos assistir de camarote a devastação, a morte / O desrespeito, o encarceramento / A falta de amor”, dispara a cantora logo no início. Da metade para o fim, a compositora verte o protesto musicado para o inglês: “At the end of the day / Who’s gonna change / The end of the story?”, questiona ela, no refrão da faixa. O prato de leite com sangue que ilustra a capa do single também dá início ao clipe repleto de imagens fortes, dirigido pelo fotógrafo Levindo Carneiro – autor também da arte da capa – e lançado junto à música.

“Na indústria de leite, gestações ocorrem através de inseminação mecânica. Além disso, injetam hormônios nas vacas para secretarem maior quantidade de leite. Seus bebês são tirados delas após o nascimento, deixando-as num luto profundo. O leite vendido carrega o luto da mãe. Esta música é uma crítica contra todas essas violências”, diz Jully, que contou com o apoio de uma ONG para o clipe: “A Farm Transparency Project cedeu imagens que denunciam os maus-tratos aos animais, violência que nós não vemos quando a carne e o leite são vendidos como produtos”.

Jully já trouxe a questão dos animais à tona em “Somos Todos Um”, cantou a morte e a apatia vivenciada no Brasil da pandemia em “Distopia” e convidou o ouvinte para uma mudança individual em apoio ao planeta em “Tears of Fireflies”. Neste quarto single do álbum S.O.S., ela pretende mostrar que precisamos urgentemente rever nossa relação com as outras espécies, exploradas pelo ser humano. A canção tem programação eletrônica e produção de Grenville Ries, e mixagem de Carlos Trilha.

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Também nesta sexta-feira (10), às 20h, Jully participará, por meio de sua página no Facebook, de uma live com a filósofa Dra. Sonia T. Felipe sobre a música e a mizooginia.

 

Chris Fuscaldo

Jornalista e escritora

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