Ao dizer que esta sexta-feira (10) é o Dia Internacional dos Direitos Animais, muitas pessoas logo pensarão em cães e gatos, e talvez também em abandono e maus-tratos.
Direitos animais, defesa animal e proteção animal são termos que dizem respeito às espécies não humanas, portanto, é importante reconhecer que a preocupação deve ser o menos limitante possível – incluindo todas aquelas que são submetidas a maus-tratos, violência, privação, sofrimento e morte.
E não é esta a realidade dos animais que usamos para consumo, entretenimento ou qualquer outra finalidade voltada aos interesses humanos ao mesmo tempo em que há desconsideração pelos interesses não humanos?
Se excluímos a maior parte dos animais de nossa preocupação moral, é adequado dizer que lutamos pelos direitos animais? Não seriam direitos de poucas espécies de animais?
Como refletir sobre esta data sem associá-la ao fato de que a maior parte dos animais criados pela humanidade são para consumo, logo isentos de direitos? Alguém dirá que um animal criado para o abate ou que terá este como destino final quando for conveniente gozou de direitos? Uma criatura subjugada a fins econômicos desde o princípio.
O direito mais básico que deve ser assegurado a qualquer criatura senciente é o de não ser submetida à exploração, sofrimento e morte em nosso benefício. Isso também significa não trazê-la ao mundo para tal fim.
Hoje (10), Dia Internacional dos Direitos Animais, o número de violência institucionalizada contra os animais continua sendo extremamente elevado e, quando pouco consideramos esta questão, que tipo de melhora podemos esperar?
Não tenho dúvida de que o avanço dos direitos animais depende de nossa dedicação em fazer o máximo possível em oposição ao uso e abuso de animais. Não podemos esperar grandes mudanças em prol dos animais se não fazemos o mínimo que está ao nosso alcance.
Se temos hábitos que são prejudiciais às outras espécies e podemos substituí-los por outros que não causem mal, por que não fazer uma transição? Por que não mudar?
Um mundo de mais empatia, de mais respeito pelo que não é humano é também um mundo mais civilizado, e toda forma de rejeição à violência desnecessária é sinal de um aperfeiçoamento moral, de maior atribuição de valor à vida. Afinal, não é mais correto não causar mal a alguém do que causá-lo?
E quando somos negligentes ou agimos com indiferença em relação a isso, não apenas não contribuímos para mudar essa realidade como favorecemos o aumento da negação de direitos aos animais.
Em um mundo com população crescente, quanto mais nos negamos a reconhecer o impacto de nossas ações, mais contribuímos para sua intensificação. Mas sempre temos condições de fazer o oposto, bastando querer.
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