Por meio da campanha, “Que baBKice é essa?”, a organização Proteção Animal Mundial está chamando a atenção para a realidade por trás das opções do Burger King Brasil oferecidas com carne de frango. Segundo a entidade, é proveniente de animais criados nas piores condições.
De acordo com José Ciocca, da Proteção Animal Mundial, o Burger King propôs no Brasil a adesão de um padrão de bem-estar criado e certificado pela própria indústria de criação de frangos dos Estados Unidos. “É algo vago e que não tem credibilidade”, diz.
Um relatório concluído no final de 2020 pela organização apontou que das grandes redes de fast-food, o Burger King está entre as que tiveram as piores pontuações em relação às suas cadeias de fornecimento de frango – o que significa também que está entre as que mais financiam a crueldade contra animais. McDonald’s, Pizza Hut e Habib’s também estão na lista.
A Proteção Animal Mundial frisa que desde 2019 tem tentado dialogar com o Burger King, mas que a questão não tem sido levada a sério pela rede de fast-food no Brasil. “Infelizmente, quando pensamos que a negociação iria avançar, eles sugeriram um padrão americano elaborado pela própria indústria, que é vago e não gera mudanças significativas.”
No relatório “Botando Ordem no Galinheiro 2020”, a Proteção Animal Mundial destaca que a carne adquirida por empresas como o Burger King é proveniente de animais submetidos à superlotação, mantidos em galpões abarrotados com dezenas de milhares de frangos, e que passam a maior parte de suas vidas sentados ou deitados sobre os próprios dejetos.
“Muitos têm de viver em um espaço menor do que uma folha de papel A4”, cita a organização e acrescenta que não há espaço para se empoleirar, abrir, as asas, explorar ou tomar banho de areia.
“A alta lotação umedece e sobre camadas de fezes e material orgânico úmido e rico em amônia, as aves passam a ter queimaduras, erupções cutâneas e problemas nos pulmões e olhos.”
Além disso, viver em superlotação gera problemas de locomoção, doenças de pele e favorece um comportamento agressivo. Outros problemas incluem desenvolvimento precoce para atender essas cadeias, já que os frangos são abatidos com apenas 40 dias. Esta, segundo a organização, é a realidade que se estende a pelo menos 40 bilhões de frangos por ano e, claro, não inclui apenas redes de fast-food.
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