Meio Ambiente

Carne deveria ser 146% mais cara se fosse considerado o impacto ambiental

Estudo realizado pela Universidade de Augsburgo diz que carnes e laticínios deveriam custar bem mais caro em consequência de danos ambientais (Foto: André Penner/AP)

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Augsburgo, na Alemanha, e divulgado neste mês de dezembro, a carne deveria ser 146% mais cara se fosse considerado o impacto ambiental de sua produção.

“Os danos ambientais decorrentes da produção de alimentos não se refletem atualmente nos preços. Se os custos consequentes dos gases de efeito estufa emitidos forem determinados e adicionados aos preços atuais dos alimentos, os produtos de origem animal, como leite, queijo e especialmente carne, teriam que se tornar muito mais caros”, conclui o coordenador da pesquisa e economista Tobias Gaugler.

O custo teria de ser 146% maior para a carne e 91% para os laticínios. Conforme o estudo, os alimentos de origem vegetal destinados ao consumo humano estão associados a uma “mochila climática” relativamente baixa, que está na faixa de um percentual de um dígito tanto em relação ao cultivo orgânico quanto não orgânico.

“Ficamos surpresos com a grande diferença”

A pesquisa aponta que os impactos climáticos resultantes da mudança no uso da terra são causados ​​principalmente pela drenagem de turfeiras e pelo desmatamento de áreas de floresta tropical que são utilizadas para a produção de ração para animais criados para consumo.

“Ficamos surpresos com a grande diferença entre os grupos de alimentos investigados e o resultante erro de precificação de produtos alimentícios de origem animal em particular”, comentou Gaugler.

“Se esses erros de precificação do mercado deixassem de existir ou pelo menos fossem reduzidos, isso também teria um grande impacto sobre a demanda por alimentos. Um alimento que se torna significativamente mais caro também terá muito menos procura”, acrescentou a coautora Amelie Michalke.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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