Opinião

Cavalo sacrificado nas Olimpíadas é um problema de exploração animal

Fotos: Yuki Iwamura/AFP/Aitor Garmendia/Tras Los Muros

Sacrificaram um cavalo após uma prova de hipismo nas Olimpíadas de Tóquio. Ou seja, em consequência de uma lesão em uma prova em que quem se beneficia é apenas o ser humano. Você já viu alguma pessoa ser sacrificada após uma prática esportiva? Também é lamentável a arrogância humana em afirmar que o animal “partiu fazendo o que mais gostava”.

Não, o cavalo partiu fazendo o que o condicionaram, o obrigaram a fazer, um risco que foi imposto a ele. Não se deve conjecturar interesses não humanos quando tal consideração (que é uma desconsideração) é fundamentada de forma capciosa a partir de ações de subjugação.

Infelizmente, isso acontece muito em diversas partes do mundo, não “somente” nas Olimpíadas. Uma rápida pesquisa sobre a realidade dos cavalos utilizados em “práticas esportivas” revela que em muitos casos o fim desses animais é ser sacrificado ou abatido, e mesmo independente de ter ou não lesão.

O “reconhecimento de inutilidade esportiva”, por exemplo, é argumento usual para matar animais em idade ou condições consideradas pouco produtivas para obter bons resultados.

Quando falamos em não humanos, até mesmo temperamento pode ser critério para abater animais utilizados em “práticas esportivas” (o que também ocorre com vacas leiteiras).

Afinal, em “práticas esportivas” a “razão de existir do animal” é vinculada ao seu potencial, e se este potencial é reduzido ou subtraído, ele deixa de ser visto como alguém, o que nunca foi plenamente, para ser, enfim, descartado, que é destino cruelmente comum.

Brasileiros ficam chocados com essa realidade do “cavalo olímpico”, não sem razão, mas esquecem ou ignoram que o Brasil, por exemplo, não tem lei que impeça o abate de cavalos.

Em meio à parcela da população brasileira que agora lamenta a morte do “cavalo olímpico” Jet Set (Pouco especista, né? Atribuir ao animal um nome associado a desempenho esportivo), há aqueles que elegem deputados federais que defendem o abate de cavalos, e que prosperam em suas oposições.

Bom, em minha opinião, se não temos lei que garanta que isso não aconteça é porque existe algo de muito errado, e que ignoramos por uma postura de oposição limitada e seletiva.

Clique aqui para saber mais sobre o assunto.

Clique aqui para acessar uma lista que inclui deputados que defendem o abate de cavalos no Brasil.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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