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Centenas de pesquisadores assinam declaração contra exploração animal

Foto: Aitor Garmendia/Tras Los Muros

Centenas de pesquisadores de filosofia moral e política de inúmeros países assinaram neste mês de outubro a Declaração de Montreal sobre Exploração Animal publicada no jornal Le Devoir, de Montreal, no Canadá.

“Nosso trabalho faz parte de várias tradições filosóficas e raramente somos todos da mesma opinião. No entanto, concordamos com a necessidade de transformar profundamente nossas relações com os outros animais. Condenamos todas as práticas que envolvem tratar animais como coisas ou mercadorias”, consta na declaração.

“Na medida em que envolve violência e danos desnecessários, declaramos que a exploração animal é injusta e moralmente indefensável. Em etologia e neurobiologia, está bem estabelecido que mamíferos, aves, peixes e muitos invertebrados são sencientes, ou seja, capazes de sentir prazer, dor e emoções.”

A declaração enfatiza que esses animais são sujeitos conscientes; têm sua própria perspectiva sobre o mundo ao seu redor e manifestam seus próprios interesses.

“Nosso comportamento afeta seu bem-estar e é provável que lhes faça bem ou mal. Quando ferimos um cachorro ou um porco, quando mantemos uma galinha ou um salmão em cativeiro, quando matamos um bovino por sua carne ou um vison por sua pele, violamos seriamente seus interesses mais fundamentais.”

Os pesquisadores defendem que todo esse mal poderia ser evitado, porque é possível abster-se de couro, de assistir touradas e rodeios ou de mostrar às crianças leões trancados em zoológicos.

“A maioria de nós já pode ficar sem alimentos de origem animal e permanecer saudável, e o desenvolvimento futuro de uma economia vegana tornará isso ainda mais fácil. Do ponto de vista político e institucional, é possível deixar de ver os animais como meros recursos à nossa disposição.”

Eles sustentam que o fato desses animais não serem membros da espécie Homo sapiens não muda nada. “Parece natural pensar que os interesses dos animais contam menos que os interesses comparáveis ​​dos seres humanos, essa intuição especista não resiste a um exame cuidadoso.”

A declaração aponta que há diferenças entre humanos e outros animais, assim como entre indivíduos dentro de espécies. “Certas capacidades cognitivas sofisticadas certamente dão origem a interesses particulares, que podem, por sua vez, justificar tratamentos específicos. Mas as habilidades de um indivíduo para compor sinfonias, realizar cálculos matemáticos avançados ou projetar-se no futuro distante, por mais admiráveis ​​que sejam, não influenciam a consideração pelo interesse em sentir prazer e não sofrer.”

Na declaração é defendido que os interesses dos mais inteligentes entre nós não importam mais do que os interesses equivalentes dos menos inteligentes. Argumentar o contrário seria classificar os indivíduos de acordo com uma faculdade que não tem relevância moral. Tal atitude capacitadora seria moralmente indefensável.

“Em suma, é difícil escapar dessa conclusão: porque a exploração animal prejudica os animais desnecessariamente, é fundamentalmente injusta. É, pois, essencial trabalhar para o seu desaparecimento, nomeadamente com o objetivo de fechar os matadouros, proibir a pesca e desenvolver a agricultura de base vegetal”, frisam.

“Não temos ilusões: tal projeto não será realizado no curto prazo. Em particular, requer abandonar hábitos especistas bem estabelecidos e transformar profundamente algumas de nossas instituições. No entanto, o fim da exploração animal nos parece ser o único horizonte coletivo realista e justo para os não humanos.”

Clique aqui para saber quem assinou a declaração.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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